A cada 20 minutos, um motorista é flagrado dirigindo com sintomas de embriaguez no Estado. O levantamento do Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG) apontou que 27.881 condutores foram abordados alcoolizados em 2022. Os números são um alerta e apontam que, em média, 76 motoristas bêbados são autuados por dia — o mesmo que três por hora. A morte do ciclista Eduardo Lobato, de 41 anos, no último sábado (1º) mostra que a mistura entre álcool e direção pode ter consequências trágicas. Lobato morreu após ser atropelado no acostamento da BR-040 por um homem, de 55 anos, que apresentava sinais de embriaguez.

“Quando se tem um acidente com morte, por exemplo, com o tempo, ele vira só um número. O que fica são os sentimentos da família e dos amigos, que tentam superar uma perda por causa desse tipo de crime”, relata o comerciante Beto Paiva, de 45 anos. Ele era amigo de Lobato e, agora, teme que o causador da morte do ciclista fique impune. “Foi o Du, amanhã vai ser outro, e isso não vai mudar. A gente tem que enfrentar essa insegurança e essa impunidade. O caso tem que servir de exemplo, tem que cortar na carne de quem faz isso”, desabafa.

Fator de risco

Um estudo do Atlas da Acidentalidade no Transporte Brasileiro, revelou que 17 pessoas morreram por causa da imprudência de quem decide pilotar após consumir bebida alcoólica. Os dados consideram todo o ano de 2021. Naqueles 12 meses, foram contabilizados 422 acidentes desse tipo.

“O álcool é um fator de risco, um problema sério e que precisa ser considerado diante da gravidade que ele oferece. Ele reduz o nosso nível de consciência, provoca confusão mental, reduz a nossa capacidade respiratória, entre outras coisas, e tudo isso influencia na direção do veículo”, alerta a especialista em trânsito Roberta Torres.

Para a especialista, esse é um problema que não envolve apenas a fiscalização e as condições das rodovias. A especialista defende que o tema precisa ser abordado em campanhas educativas que conscientizem os condutores sobre os riscos que o álcool oferece para a sua vida e de outras pessoas que estão no trânsito.

“Quando a gente vê um caso em que um motorista bêbado matou alguém, a gente se revolta muito. Mas não é esse sentimento que temos quando entramos no carro de um amigo ou de algum familiar que ingeriu bebida alcoólica. Então, acredito que a gente precisa ter isso em mente. A decisão precisa ser tomada antes do ocorrido”, aponta.

Fonte: O Tempo

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