Todas as peças de roupas dos uniformes dos presos de Minas Gerais passarão a sair, nos próximos dias, das mãos de detentos de cinco unidades prisionais, conforme divulgado pela Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds). No total serão produzidas 35.460 peças de vestuário por mês a partir de outubro.
Conforme o órgão, o vestuário da população carcerária é formado por calças, bermudas, camisas e chinelos. Agora, as peças são produzidas em oficinas instaladas dentro dos estabelecimentos prisionais, garantindo sustentabilidade, profissionalização e humanização no cumprimento das penas.
A maior produção em número de peças ocorre atualmente na Penitenciária Dênio Moreira, na cidade de Ipaba, no Vale do Aço. São quase 7 mil bermudas e calças por mês, ocupando 15 detentos. Um caminhão baú da Penitenciária faz o transporte das roupas, recolhendo também a produção das penitenciárias de Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, e de Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri.
A Penitenciária de Governador Valadares abastece a Suapi com 3 mil bermudas mensalmente. Já na alfaiataria da Penitenciária de Teófilo Otoni, 40 detentos costuram seis mil calças por mês. A produção de chinelos começou no dia 21 deste mês no Presídio Feminino de Eugenópolis e na Penitenciária Doutor Manoel Martins Lisboa Junior, em Muriaé, na Zona da Mata. Três presas e seis detentos trabalham para atender a demanda projetada de 3 mil pares por mês.
As camisas começarão a ser fabricadas no início de outubro a um ritmo de 16,5 mil peças mensais, que serão costuradas na Penitenciária de Formiga (8 mil), no Oeste de Minas, e no Presídio de Itajubá, no Sul do Estado (8,5 mil).
O auxiliar de serviços administrativos Vicente Silva, responsável pela alfaiataria de Teófilo Otoni há mais de dez anos, já exercia a profissão de alfaiate antes de integrar o quadro funcional da Seds. Ele revela que a penitenciária foi pioneira na produção de uniformes para o sistema prisional à época. “Iniciamos o projeto piloto com 500 metros de tecido. Hoje utilizamos mais de 85 mil metros ao ano”, conta.
A profissionalização e a abertura de oportunidades de trabalho é um processo contínuo que segue a rotina de entrada e saída de detentos. Evandro Gonzaga, de 25 anos, está aprendendo o ofício de alfaiate na Penitenciária de Teófilo Otoni. Pelo trabalho, ele recebe remição de pena – a cada três dias trabalhados, um a menos de reclusão a cumprir – e utiliza o pagamento que recebe para auxiliar a família.
“O projeto me possibilitou novos sonhos e conquistas. Quando terminar de pagar a pena, vou ajudar minha família. Se Deus permitir, pretendo abrir um negócio de corte e costura”, planeja Evandro.
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