O Vaticano apura a suspeita de que uma catedral no Reino Unido tenha sido palco de uma orgia durante o lockdown. De acordo com o jornal britânico Sunday Times, que revelou o caso neste sábado (22), um dos padres da diocese teria convidado fiéis para uma festa privada em seus aposentos durante a pandemia, quando igrejas interromperam a maior parte de sua programação – e aglomerações do tipo foram proibidas.

O padre era responsável pela catedral de Newcastle, no noroeste do país, desde 2019. Ele se suicidou em abril de 2021, aos 57 anos, quatro dias depois de tomar conhecimento de que era alvo de um inquérito policial por abuso sexual de menores.

Os casos de abusos envolvendo religiosos são recorrentes, e o papa Francisco já expressou sua indignação contra os abusadores dentro da Igreja Católica. No ano passado, ele chegou a anunciar medidas para coibir os casos de violência sexual, como uma norma que obriga membros do clero a denunciar suspeitas de violência sexual às autoridades eclesiásticas. Ele também aboliu o segredo pontifício sobre casos de pedofilia.

A investigação realizada pela Igreja Católica agora se dá no contexto mais amplo de uma apuração sobre as circunstâncias da renúncia de um bispo da diocese a que a catedral responde, de Hexham e Newcastle, em dezembro passado. O bispo em questão afastou-se do posto que dirigia desde 2019 sob a justificativa de que este tinha se tornado um “fardo pesado demais”. Antes, ele havia servido como auxiliar na arquidiocese de Birmingham, no centro-oeste do país, e fora reitor da igreja paroquial de Oxford, no centro-sul, entre 1993 e 2011.

“Meu próprio discernimento me levou a reconhecer que hoje me sinto incapaz de continuar a servir o público desta diocese como gostaria”, disse a fiéis na Catedral de Santa Maria, em Newcastle, no discurso em que anunciou sua renúncia. Não há evidências de que o bispo participou da suposta festa ou que tivesse conhecimento dela. O responsável pela investigação é o arcebispo de Liverpool, Malcolm McMahon, que também dirige a diocese até que um sucessor seja nomeado. Em uma carta obtida pelo Sunday Times, o arcebispo afirma que os conselheiros do papa pediram que ele preparasse um relatório aprofundado sobre os eventos que antecederam a renúncia do bispo.

A Agência Católica de Padrões de Salvaguarda (CSSA, na sigla em inglês), iniciou na semana passada uma auditoria surpresa na diocese. Steve Ashley, diretor-executivo da entidade, afirmou que a investigação levará em conta quaisquer relatos e alegações de abuso, e reforçou a agência é independente e tem “total autonomia”. Já a diocese afirma que se apresentou voluntariamente ao CSSA e à Comissão de Caridade e que “continuará a trabalhar de forma produtiva e célere com ambas as organizações e adaptando-se quando necessário a partir de fatos e evidências fornecidas, e não de rumores e desinformação”.

Organizar festas durante a pandemia foi um dos fatores que levaram à queda do ex-premiê Boris Johnson. O “partygate“, episódio no qual vazamentos em série revelaram festas na sede do governo no auge da Covid, mostrou que o governo fez dezenas de comemorações no período, de festa de Natal a festa de aniversário – do próprio premiê. Funcionários do gabinete chegaram a realizar um convescote na véspera do funeral do príncipe Philip (1921-2021), o que depois gerou um pedido de desculpas de Boris à rainha Elizabeth 2ª.

Fonte: O Tempo

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