Formiga

PR comanda a máquina do Dnit em 15 Estados e no DF

A presidente Dilma Rousseff terá bastante trabalho caso consiga realizar uma faxina em órgãos do Ministério dos Transportes nos Estados para tentar identificar se há esquemas de corrupção semelhantes ao implantado pelo Partido da República (PR) na cúpula da pasta.
Em 16 unidades da Federação – sendo 15 Estados e o Distrito Federal -, as
superintendências do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) estão nas mãos de filiados ao PR ou de pessoas indicadas por caciques da legenda.
O PR controla, com filiados, o Dnit em nove Estados – Amazonas, Roraima, Amapá, Pará, Goiás, São Paulo, Sergipe, Alagoas e Mato Grosso do Sul – e no Distrito Federal. Em outros seis Estados, os atuais superintendentes foram indicados por integrantes do partido, mesmo, em alguns casos, sendo filiados a outra legenda. É o caso do superintendente no Mato Grosso, Nilton de Britto, filiado ao PPS, mas que foi indicado pelo senador Blairo Maggi (PR-MT), que recusou o convite para assumir a pasta dos Transportes, já que suas empresas têm contratos com o governo.
Na Paraíba, Gustavo Adolfo Andrade de Sá não é filiado a nenhum partido, mas está na chefia do Dnit local graças à indicação do deputado federal Wellington Ribeiro (PR-PB).
Fato semelhante ocorre em Pernambuco, onde Divaldo de Arruda Câmara, sem filiação, assumiu a direção do órgão com apoio do deputado federal Inocêncio de Oliveira (PR-PE). No Tocantins, a nomeação de Amauri Souza Lima serve para atender a dois aliados. Ele é filiado ao PMDB, mas está no cargo por indicação do senador João Ribeiro (PR-TO), hoje afastado por problemas de saúde.
Há também duas superintendências controladas por outros aliados do governo – PT e PMDB -, o que pode gerar outra crise caso sejam encontradas irregularidades.
Faxina
Todos as superintendências devem passar por uma análise por parte do Planalto para verificar se há indícios de superfaturamento de obras, como o que foi descoberto na cúpula do ministério e que custou os cargos de pelo menos 16 integrantes da direção da pasta, incluindo o ex-ministro Alfredo Nascimento, e de toda a diretoria do Dnit.
A faxina ordenada por Dilma pode atingir outros aliados. No Maranhão, Gerardo Fernandes foi indicado pelo senador José Sarney (PMDB-AP). Já o superintendente do Dnit de Santa Catarina, João Santos, é aliado da ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti (PT-SC).