Formiga

O caos na saúde em Formiga tem nome: Descontinuidade

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Rafael Tomé, Inês Macedo e Gonçalo Faria já estiveram à frente da Secretaria de Saúde, recentemente assumida por Ronan Rodrigues

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A cada troca de secretários na pasta da Saúde em Formiga, e já foram quatro em pouco mais de três anos de administração, voltamos ao marco zero.
É o que fica claro a partir de uma nota oficial enviada pela Secretaria de Comunicação na terça-feira (22) ao responder o jornal mais uma vez, sobre uma série de problemas graves identificados e confirmados, ainda reinantes no Pronto Atendimento Municipal (PAM) e nos postos de saúde.
Diz a nota: “Os problemas apontados pelo jornal foram encaminhados ao novo secretário municipal de Saúde, Ronan Rodrigues de Castro Junior. Recém-empossado, o secretário informou que, no momento, está fazendo um diagnóstico da situação da Saúde em Formiga, para que sejam traçadas estratégias para melhorar a assistência à população. Ao mesmo tempo, o secretário tem se reunido com a equipe da secretaria e de outros setores da Prefeitura para dar soluções imediatas a problemas mais urgentes”.
Haja compreensão por parte da população que, de tempos em tempos, precisa esperar que uma nova equipe gestora melhor se informe sobre a precária situação da saúde no município para que só então, segundo se depreende da nota, as coisas voltem a caminhar e em tempos de crise, sabe-se lá em qual ritmo!
O fato é que, quando se fala em atendimento em saúde, esperar para fazer exames, para ser bem atendido, ou para ter condições de trabalho, soa como um imenso descaso com a área que deveria ser a prioridade dessa gestão, o que aliás, foi prometido e reiterado inúmeras vezes pelo então candidato e agora prefeito, Moacir Ribeiro, inclusive quando ainda era vereador.
Só quem entra pelas portas do Pronto Atendimento Municipal (PAM), que esta administração teima em chamar de Unidade de Pronto Atendimento (UPA), com qualquer problema de saúde, por mais simples que seja, sabe das dificuldades para receber um bom atendimento, apesar do esforço dos profissionais que se desdobram o tempo todo diante do número insuficiente de funcionários, e da escassez de medicamentos e da falta de condições para receber pacientes, adequadamente.
Apesar das recorrentes matérias do Nova Imprensa sobre o tema, denunciando os problemas, apenas quando um dos profissionais do jornal se submeteu ao atendimento na semana passada, após uma crise gástrica, foi possível saber a dimensão do caos instalado nesse setor do município.
Em pouco mais de duas horas e meia entre preenchimento de ficha, pré-consulta, atendimento médico e recebimento de medicação foram observados e constatados entre conversas e reclamações problemas como: Falta de profissionais (a mesma pessoa que estava na recepção fez a pré-consulta), falta de luvas (profissionais reclamavam que a última caixa de luvas estava no fim e não havia mais em estoque), falta de medicamentos (a técnica de enfermagem questionou o médico o que deveria fazer já que a prescrição dele – uma simples Novalgina injetável – estava em falta na sala de medicação), faltam outros medicamentos e determinados soros, falta de material de limpeza e de lençóis. “Você vai ter que tomar soro aqui no corredor, assentada mesmo. Temos poucos lençóis e não podemos sujar um só para você deitar por poucos minutos, infelizmente”, disse a técnica de enfermagem.
Mesmo com as amplas salas das novas instalações do PAM, os pacientes também não podem mais ser acompanhados durante a consulta (o que segundo apuramos é em muitos casos, preconizado pela OMS e outros órgãos) ou durante o recebimento de medicação, talvez para se evitar que mais pessoas constatem a série de problemas enfrentados no local, onde profissionais se viram como podem, comprando inclusive, pães e biscoitos para o lanche, que não são mais fornecidos pela Prefeitura. Para se ter uma ideia, nem papel higiênico é disponibilizado nos banheiros destinados ao público enquanto aguarda o atendimento.

Nos PSFs
Nos postos do Programa Saúde da Família o problema continua. Não há espéculos para a realização de exames preventivos, o material contaminado e perfuro cortante, que precisa ser recolhido por empresa especializada permanece dentro dos postos, apodrecendo, pelo não recolhimento em virtude da falta de pagamento da empresa contratada para o serviço. Além disso, faltam materiais básicos para o trabalho dos profissionais que precisam bater metas impostas pelo Ministério da Saúde e pelo município.
Problemas graves que impedem o oferecimento de um serviço minimamente eficaz para a população que agora, aguardará mais um tempo, até que a nova gestão possa tomar as rédeas e de fato, tentar virar esse jogo para que os formiguenses sejam, pelo menos ao final deste mandato, atendidos com a devida dignidade quando precisarem fazer uso do sistema público de saúde oferecido na cidade.
Mas ainda há uma luzinha lá no fim do túnel. Como este é um ano eleitoral, é bem provável que tudo mude repentinamente. Quem sabe a saúde funcione de agora em diante como uma espécie de varinha mágica, capaz de fazer a população viver aquele sonho de que um dia, teria aqui um tratamento VIP, disponibilizado a todo usuário do SUS que, segundo a promessa, seria atendido no Hospital Regional.
A escolha do atual secretário de Saúde e coordenador da classe médica parece acertada e eles, com o conhecimento que têm da área e a experiência obtida nos PSFs em que serviram, certamente os brigará a exigir da administração maior cuidado com a Saúde.

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