Economia

Acordo Mercosul-UE deve ampliar oportunidades para a indústria mineira, diz Fiemg

Foto: Ricardo Stuckert/PR

O acordo comercial entre o Mercosul–União Europeia, que entra em vigor provisoriamente nesta sexta-feira (1/5), deve ampliar as oportunidades para a indústria de Minas Gerais. A avaliação é da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), que vê potencial de crescimento nas exportações e na diversificação da pauta industrial do estado.

De acordo com a Fiemg, Minas Gerais é o estado brasileiro com maior superávit comercial com o bloco europeu, com saldo de US$ 4 bilhões em 2025. A União Europeia também é o segundo maior parceiro comercial do estado.

Um estudo da entidade aponta ainda que Minas Gerais concentra cerca de 15% das exportações brasileiras destinadas ao bloco europeu em 2025, reforçando a relevância do estado no comércio internacional.

O tratado, negociado por mais de duas décadas e assinado em janeiro de 2026, prevê a redução gradual de tarifas e barreiras comerciais, criando uma das maiores áreas de livre comércio do mundo. O acordo também estabelece regras de facilitação de comércio e investimentos.

Segundo a Fiemg, Minas Gerais poderá se beneficiar especialmente em produtos de maior valor agregado, como café industrializado, alimentos processados, rochas ornamentais beneficiadas, autopeças, partes de motores, silício metálico e outros químicos inorgânicos. Cadeias já consolidadas, como café verde, celulose e metalurgia, também permanecem relevantes, ainda que parte delas já estivesse isenta de tarifas anteriormente.

Apesar das oportunidades, a entidade alerta para a necessidade de atenção à competitividade da indústria mineira, especialmente em setores mais expostos à concorrência internacional e às exigências regulatórias e ambientais do mercado europeu.

No cenário nacional, o estudo identifica cerca de 11 bilhões de euros em produtos imediatamente beneficiados pelo acordo, com base nas importações feitas pelo bloco do Brasil em 2025. Entre os efeitos esperados estão a expansão do comércio exterior, aumento da produtividade e maior integração às cadeias globais de valor.

Para a coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais da Fiemg, Verônica Winter, o acordo representa uma oportunidade estratégica para Minas Gerais, mas exige preparação das empresas.

Ela destaca que o estado já possui forte relação comercial com a União Europeia, principalmente em commodities agrícolas, minerais e insumos industriais, e que o desafio agora é ampliar a participação de produtos industrializados, com maior valor agregado e competitividade.

A Fiemg reforça ainda que acompanha o tema de forma estratégica e defende políticas públicas voltadas à inovação, produtividade e inserção internacional da indústria brasileira. Entre os principais pontos de atenção estão exigências sanitárias e ambientais da União Europeia, regras de origem, adaptação de pequenas e médias empresas e impactos em setores mais sensíveis à concorrência externa.

Com a entrada em vigor do acordo Mercosul-União Europeia, Minas Gerais pode ampliar sua participação no comércio internacional e diversificar suas exportações. No entanto, a Fiemg destaca que o aproveitamento das oportunidades dependerá da capacidade de adaptação da indústria às novas exigências do mercado global.

Com informações do O Tempo