Ciência e Saúde

Ministério da Saúde suspende temporariamente vacinação contra dengue após registro de reações adversas graves

Foto: Freepik/Imagem ilustrativa

O Ministério da Saúde anunciou, nesta segunda-feira (8), a suspensão temporária e preventiva da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. A decisão foi tomada após o registro de 42 casos de reações adversas consideradas graves, incluindo três ocorrências classificadas como mais severas, com duas mortes em investigação.

A suspensão passa a valer a partir desta terça-feira (9) e permanecerá em vigor enquanto as autoridades sanitárias apuram uma possível relação entre os eventos e a aplicação da vacina.

Segundo o Ministério da Saúde, aproximadamente 500 mil doses da vacina foram aplicadas em todo o país. Nesse período, foram notificados 42 casos de reações adversas graves que podem estar associados ao imunizante.

As análises estão sendo conduzidas por equipes técnicas do próprio Ministério da Saúde, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Instituto Butantan.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou: “Ainda não há comprovação de causalidade entre a vacina e os óbitos”.

Desenvolvida pelo Instituto Butantan, a vacina contra a dengue é a primeira produzida integralmente no Brasil e também a primeira do mundo com esquema de dose única. A estratégia de vacinação teve início neste ano, com prioridade para profissionais da área da saúde.

Como medida de precaução, o Ministério da Saúde orienta que pessoas vacinadas nos últimos 21 dias procurem uma unidade de saúde para acompanhamento.

O objetivo é monitorar possíveis efeitos adversos e garantir atendimento médico adequado caso surjam sintomas após a imunização. Entre os sinais que devem ser observados estão:

  • Febre
  • Dor abdominal intensa e contínua
  • Vômitos persistentes
  • Tontura
  • Sangramentos
  • Sonolência intensa
  • Irritabilidade
  • Sinais de desidratação
  • Piora do estado geral

Casos graves incluem internações e mortes

Mulher de 39 anos

O primeiro caso envolve uma mulher de 39 anos que apresentou febre, dores musculares e náuseas seis dias após a vacinação. Ela evoluiu para um quadro compatível com dengue grave, com choque e necessidade de internação em UTI. A paciente recebeu alta hospitalar.

Mulher de 48 anos

O segundo caso é de uma mulher de 48 anos que desenvolveu sintomas de dengue grave associados a comprometimento neurológico, incluindo meningoencefalite, 19 dias após a vacinação. Ela morreu.

Homem de 58 anos

O terceiro caso envolve um homem de 58 anos que apresentou febre cinco dias após a vacinação. Ele evoluiu rapidamente para dengue grave com choque refratário e também morreu.

O Ministério da Saúde afirma que os três episódios são sinais de alerta importantes, mas ainda não permitem concluir relação causal com a vacina.

As duas mortes continuam sendo investigadas. Especialistas analisam informações clínicas, exames laboratoriais, histórico médico e outros fatores que possam esclarecer se há relação entre os óbitos e a imunização.

O governo reforça que, até o momento, não há evidências que comprovem ligação direta entre a vacina e os casos.

A partir desta terça-feira (9), a campanha de vacinação será temporariamente interrompida enquanto ocorre uma revisão dos dados de segurança.

O Ministério da Saúde informou que ampliará o monitoramento de casos na rede hospitalar, com atenção especial às pessoas vacinadas nos últimos 21 dias.

Segundo o ministro Alexandre Padilha, as evidências disponíveis continuam indicando que a vacina oferece proteção contra os quatro sorotipos da dengue.

O Ministério também destacou que a suspensão não coloca em dúvida a eficácia do imunizante, mas tem como objetivo aprofundar a avaliação dos eventos adversos antes da continuidade da campanha.

A suspensão temporária da vacinação contra a dengue representa uma medida de cautela diante da investigação de possíveis reações adversas graves. As autoridades de saúde seguem analisando os casos para esclarecer se há ou não relação com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan.

 

Com informações do Metrópoles