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Fungos encontrados em lagarta que ataca lavouras podem ajudar na degradação do isopor, aponta estudo

Foto: Magnific/Imagem ilustrativa

Pesquisadores identificaram uma possível alternativa para enfrentar a poluição causada por plásticos a partir de uma fonte inusitada. Fungos presentes no intestino da lagarta Helicoverpa armigera, conhecida por causar grandes prejuízos em plantações de soja, algodão e milho, demonstraram potencial para degradar o isopor, material produzido a partir do poliestireno expandido.

O estudo foi publicado em maio na revista BMC Microbiology e desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

A Helicoverpa armigera, popularmente conhecida como lagarta-do-algodão, lagarta-da-espiga-do-milho ou lagarta-da-vagem, possui quatro fungos intestinais com potencial para digerir o poliestireno expandido.

Para realizar a pesquisa, os cientistas dividiram os insetos em três grupos. Um deles foi alimentado exclusivamente com isopor, outro recebeu uma dieta composta por 50% de isopor e o terceiro continuou consumindo sua alimentação tradicional.

Após essa etapa, os pesquisadores isolaram quatro fungos presentes no intestino das lagartas: Aspergillus sp., Talaromyces sp. e duas espécies de Penicillium. Em seguida, esses fungos foram colocados sobre uma lâmina de isopor durante um período de 60 dias.

Durante os testes, foi observado que os fungos cresceram, interagiram entre si e provocaram alterações na superfície do isopor. Os resultados indicam que esses microrganismos utilizaram o material como fonte de carbono para seu desenvolvimento.

Segundo o biólogo Flavio Henrique Silva, um dos autores do estudo, em entrevista à Agência Fapesp, o crescimento dos fungos sobre o filme de poliestireno demonstra que eles utilizaram a película como alimento.

Ainda de acordo com o pesquisador, duas das espécies apresentaram maior eficiência nesse processo. “Se o fungo foi capaz de crescer sobre esse filme, é porque ele usou essa película como fonte de carbono, ou seja, fonte de alimento. Dois deles são mais eficientes (Aspergillus e Talaromyces), enquanto os outros dois realizam modificações mais sutis nos filmes”, explicou.

Apesar dos resultados, os pesquisadores destacam que ainda é necessário compreender se o isopor é efetivamente degradado ou apenas reduzido à forma de nanoplásticos.

Como continuidade da pesquisa, a equipe pretende desenvolver uma colônia maior desses fungos e introduzi-la no intestino de outros insetos. O objetivo é criar larvas com maior capacidade de consumir o isopor, ampliando o potencial de aplicação da descoberta em estudos futuros sobre a degradação de resíduos plásticos.

 

Com informações do Metrópoles