A fidelidade pode ter um papel importante no comportamento reprodutivo dos papa-moscas-pretos (Ficedula hypoleuca). Um novo estudo realizado por cientistas da Universidade de Oslo, na Noruega, descobriu que as fêmeas da espécie conseguem identificar, por meio do canto, se os machos já acasalaram recentemente.
Os resultados da pesquisa foram publicados na revista científica Ethology em 1º de julho. O trabalho também mostrou que as fêmeas demonstram preferência por machos solteiros, que ainda não tiveram uma primeira parceira.
Para realizar a análise, os pesquisadores gravaram os cantos de 17 machos antes e depois do primeiro acasalamento durante a época de reprodução.
Ao comparar as vocalizações, os cientistas observaram que, após a reprodução, os cantos se tornavam mais curtos e apresentavam menor alternância de sons.
Segundo os pesquisadores, depois do primeiro acasalamento, os machos costumam percorrer vários quilômetros e construir novos ninhos para tentar atrair outras fêmeas. No comportamento da espécie, é comum que eles formem novos pares após a primeira parceira.
Para verificar se as fêmeas eram capazes de perceber as diferenças nos cantos, os cientistas reproduziram gravações de machos solteiros e de machos já comprometidos.
O resultado indicou que 21 das 29 fêmeas avaliadas escolheram visitar os ninhos associados aos sons de machos que ainda estavam disponíveis para reprodução.
A primeira autora do estudo, Helene Lampe, explicou que os machos normalmente cantam seguindo uma sequência organizada de sílabas. Algumas delas costumam se repetir entre uma canção e outra. Porém, quando passam a ocupar múltiplos territórios simultaneamente, essa repetição ocorre com menor frequência.
Os pesquisadores levantam duas hipóteses para explicar a alteração no canto dos machos após o acasalamento.
A primeira possibilidade é que a mudança ajude o macho a evitar a primeira parceira, que poderia reconhecer sua vocalização e se aproximar para afastar outras fêmeas.
A segunda hipótese é que o novo padrão de canto funcione como um sinal territorial direcionado a outros machos rivais, indicando que aquele espaço já está ocupado.
Apesar das descobertas, especialistas que não participaram da pesquisa afirmam que os machos da espécie não devem ser interpretados como “trapaceiros”.
Segundo eles, o comportamento faz parte de uma estratégia natural voltada para aumentar o sucesso reprodutivo dos animais.
O estudo reforça que as mudanças na comunicação entre os papa-moscas-pretos desempenham um papel importante na dinâmica de reprodução da espécie e na escolha das fêmeas
Com informações do Metrópoles








