Em 15 de novembro de 1989, em Brusque, Santa Catarina, 373 eleitores participaram de uma experiência pioneira de votação eletrônica, conduzida pelo juiz eleitoral Carlos Prudêncio. A iniciativa utilizou um computador pessoal adaptado e foi realizada sem autorização do Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
Desenvolvimento: Prudêncio era juiz eleitoral desde 1968 e havia acompanhado de perto problemas nas eleições realizadas com cédulas de papel. Segundo o relato, fiscais utilizavam grafite sob as unhas para rasurar cédulas e anular votos de candidatos opositores durante a contagem. A experiência com tecnologia foi criada para reduzir esse tipo de interferência e acelerar a apuração.
O sistema utilizado em Brusque era rudimentar: um microcomputador adaptado executava um programa simples que registrava os votos digitados no teclado. Cada eleitor levava, em média, 23 segundos para votar. O resultado era transmitido via satélite, recurso considerado inovador para a época.
A experiência deveria permanecer secreta, mas corria o risco de ser descoberta. Para viabilizá-la, Prudêncio convenceu o irmão, que era programador, a emprestar seu computador pessoal, apesar da ordem expressa do TRE.
A iniciativa ganhou repercussão e, em 1996, o Brasil realizou sua primeira eleição totalmente informatizada. A urna eletrônica passou a ser associada à agilidade e à segurança do processo eleitoral.
O que começou em 1989, em Brusque, como uma experiência conduzida por um juiz eleitoral e baseada em um computador pessoal adaptado, tornou-se parte do sistema eleitoral brasileiro. A trajetória da urna eletrônica é marcada, desde sua origem, pela tentativa de reduzir fraudes na votação manual e tornar a apuração mais rápida.
Alexandre Bertozzi-Engenheiro eletricista e professor universitá[email protected]






