Ciência e Saúde

Novo tratamento injetável pode ajudar o cérebro a se recuperar após AVC

Foto: Magnific/Imagem ilustrativa

Um biomaterial injetável desenvolvido por pesquisadores da Universidade Duke, nos Estados Unidos, demonstrou capacidade de estimular a recuperação do cérebro após um AVC em testes com animais. A proposta é transformar a área danificada em um ambiente favorável ao reparo do tecido.

Os resultados do estudo foram publicados na revista Cell Biomaterials em 21 de julho. A pesquisa ainda está em fase pré-clínica e não foi testada em humanos.

O AVC isquêmico ocorre quando um coágulo bloqueia o fluxo de sangue no cérebro. Mesmo quando a circulação é restabelecida, o tecido que morreu não é recuperado, deixando uma cavidade na região afetada. O novo tratamento busca atuar justamente nesse espaço.

Após ser injetado, o biomaterial forma uma estrutura porosa que funciona como suporte para a entrada de células e a reorganização do tecido. Segundo a engenheira biomédica Tatiana Segura, que lidera o estudo, o objetivo é modificar o local da lesão para permitir que diferentes processos de reparo ocorram simultaneamente.

Os pesquisadores também incorporaram ao material sinais biológicos capazes de atrair células do sistema imunológico e estimular a formação de vasos sanguíneos. Durante o experimento, células de defesa foram recrutadas para a área lesionada, entre elas os neutrófilos, normalmente associados à inflamação nas fases iniciais do AVC.

Os resultados indicaram que, em um momento posterior e sob determinados sinais, essas células podem contribuir para o reparo do tecido. Quando os pesquisadores reduziram a presença dos neutrófilos, houve diminuição na formação de novos vasos sanguíneos e menor reorganização da área afetada.

De acordo com a pesquisadora Shangjing Xin, os resultados sugerem que o papel dessas células depende do momento e do ambiente em que atuam.

Além da resposta imunológica, o tratamento estimulou o crescimento de vasos sanguíneos e de fibras nervosas na região afetada. As mudanças foram acompanhadas por melhora na mobilidade dos animais. Em testes de caminhada, os ratos tratados apresentaram, após algumas semanas, desempenho semelhante ao de animais sem lesão.

Os cientistas também observaram que os sinais biológicos utilizados no experimento não produziram o mesmo efeito quando aplicados sem o biomaterial. O resultado indica que a estrutura física do material tem papel central no processo.

Apesar dos resultados, o tratamento ainda precisa passar por novos testes antes de ser avaliado em humanos. Os pesquisadores pretendem investigar a segurança da técnica e compreender melhor como diferentes células participam da recuperação.

A equipe também estuda o uso de células humanas em laboratório para produzir os sinais biológicos utilizados no biomaterial. A proposta é desenvolver uma abordagem que permita ao próprio organismo reorganizar a área afetada, em vez de apenas adaptar as funções do cérebro após o AVC.

Com informações do Metrópoles