Formiga

“Bordando Sonhos”: curso gratuito de bordado à mão reuniu 15 mulheres em Formiga

Foto: Acervo do projeto Bordando Sonhos
Projeto valoriza saberes artesanais e fortalece a autonomia feminina

Linhas coloridas, bastidores e tecidos ocuparam as mesas da Biblioteca Pública Municipal Osório Garcia, no bairro Ouro Negro, em Formiga. Entre os dias 8, 9, 10, 15 e 16 de setembro, o espaço recebeu o projeto “Bordando Sonhos”, curso gratuito de formação em bordado à mão destinado a mulheres a partir de 14 anos.

A iniciativa integrou a categoria de formação e capacitação em artesanato da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, por meio do Edital nº 4/2026, projeto nº 24606. Idealizado e conduzido pela artesã e oficineira Elizânia Francisca Oliveira Duarte, com produção executiva de Flávia Carolline de Lima Leão e Espaço Tainmó.  O projeto nasceu do desejo de compartilhar conhecimentos tradicionais e ampliar as possibilidades de geração de renda e autonomia para mulheres do município.

Participantes apresentam os trabalhos desenvolvidos ao longo da formação / Foto: Acervo do projeto Bordando Sonhos

 

Com 15 vagas e carga horária de 15 horas, distribuídas em cinco encontros presenciais, a formação combinou explicações, demonstrações técnicas e prática orientada. Cada participante recebeu um kit com bastidor, tecido, linhas, agulhas, tesoura e outros materiais necessários ao desenvolvimento das atividades.

Durante as aulas, as participantes conheceram dez pontos fundamentais: ponto atrás, haste, alinhavo, margarida, rosa faiada, ponto cheio, caseado, nó francês, folha e corrente. Também receberam orientações sobre escolha de tecidos, combinação de cores, criação de riscos, composição visual, acabamento, comercialização e precificação dos produtos artesanais.

Flores e diferentes pontos compõem uma das peças criadas durante a oficina / Foto: Acervo do projeto Bordando Sonhos

 

A oficina foi inspirada nas obras “Correndo Trecho pelo Rio São Francisco” e “O Particular Jardim de Antônia”, de Sávia Dumont. As referências aproximaram o bordado de temas como memória, território e cotidiano, incentivando cada participante a transformar experiências, paisagens e histórias pessoais em composições feitas com linha e tecido.

Além do aprendizado técnico, os encontros criaram um ambiente de convivência e troca de saberes entre mulheres de diferentes idades. O bordado foi apresentado não apenas como habilidade manual, mas como linguagem artística, prática cultural transmitida entre gerações e possibilidade concreta de inclusão produtiva.

Ao abordar noções de comercialização e precificação, o projeto também chamou a atenção para o valor econômico do trabalho artesanal. O cálculo do preço de uma peça precisa considerar os materiais, o tempo empregado, o domínio técnico e a criatividade de quem a produz. Essa compreensão ajuda a combater a desvalorização do artesanato e fortalece a autonomia de suas criadoras.

As fotografias do encerramento registram o resultado do percurso: mulheres reunidas com trabalhos marcados por escolhas próprias de cores, pontos e formas. Realizado em um espaço público de leitura e convivência, o “Bordando Sonhos” reafirmou a importância de políticas culturais que aproximam formação, tradição e oportunidades, abrindo caminhos para a autoestima, a cooperação e a independência financeira.

As 15 participantes receberam certificados ao final do curso. Foto: Acervo do projeto Bordando Sonhos / Foto: Acervo do projeto Bordando Sonhos