Consumir pouco sal pode prejudicar a memória tanto quanto o consumo excessivo, segundo um estudo publicado nessa quinta-feira (1º) na revista Food Research International. A pesquisa avaliou como diferentes níveis de sódio na dieta influenciam o cérebro, o intestino e o desempenho em testes de memória.
Os experimentos foram realizados com camundongos que receberam microbiota intestinal de origem humana. Durante 14 semanas, os animais foram alimentados com dietas contendo baixo, normal ou alto teor de sal.
Os testes indicaram que tanto a ingestão reduzida quanto a elevada de sal comprometeram a memória. Em comparação com os animais que consumiram níveis considerados normais, os grupos submetidos às dietas extremas apresentaram pior desempenho em tarefas que avaliavam a memória de curto e de longo prazo.
Os pesquisadores analisaram funções como o reconhecimento de objetos e a orientação em um labirinto. Nos dois testes, os animais expostos às dietas com níveis extremos de sal tiveram mais dificuldade.
No hipocampo, região do cérebro relacionada à formação de memórias, foram observadas alterações em proteínas essenciais para o funcionamento dos neurônios. Entre elas estão SYN1, PSD95 e BDNF, além de uma redução na ativação de CREB.
Essas moléculas participam de processos relacionados à comunicação entre as células nervosas e à formação de novas memórias. A redução desses elementos esteve associada ao pior desempenho dos animais nos testes.
Apesar de terem levado a resultados semelhantes nos testes de memória, os dois tipos de dieta afetaram o organismo de maneiras diferentes.
A ingestão baixa de sal interferiu diretamente nos sinais químicos que chegam ao cérebro a partir do intestino. Já o consumo elevado aumentou os sinais inflamatórios no sangue e alterou a composição da microbiota intestinal.
Nos animais que consumiram mais sal, os pesquisadores observaram redução de substâncias produzidas por bactérias intestinais, como propionato e butirato. Também houve aumento de marcadores de estresse oxidativo.
Microbiota humana foi utilizada no experimento
Os pesquisadores concentraram a análise na relação entre o intestino e o cérebro. Para isso, eliminaram as bactérias naturais dos camundongos e introduziram microbiota proveniente de doadores humanos.
O modelo permitiu observar como as mudanças na alimentação afetam não apenas o cérebro, mas também os microrganismos presentes no intestino e os compostos produzidos por eles.
Os resultados indicam que tanto a restrição severa quanto o consumo elevado de sal podem afetar funções cognitivas. Segundo os autores, manter níveis adequados de ingestão é importante para o funcionamento do cérebro e do intestino.
O estudo também aponta a necessidade de novas pesquisas para estabelecer limites seguros de consumo e investigar se alterações na microbiota intestinal podem ajudar a reduzir os efeitos sobre a memória.
Com informações do Metrópoles






