Decorridos 10 anos da adoção de medida eleitoreira incrementada pela então presidente Dilma Rousseff, com o único e sabido intuito de diminuir o custo do fornecimento de energia para os consumidores finais, agora, perguntamos? Será mesmo que a história se repetirá?

Se em 2012 o desconto (?) havido foi da ordem de cerca de 15%, o que no ano seguinte, pelos mecanismos dos quais o governo dispõe, o aumento nas contas ressurgiu e foi até superior aquela “benesse” concedida magnanimamente no ano eleitoral, agora, em 2022, segundo anúncio feito pelo próprio presidente Bolsonaro, a coincidência de atos oficiais, está se repetindo.

Ocorre que em 2012 para bancar a “caridade” D. Dilma ofertou ao setor elétrico uma prorrogação das concessões que então vigoravam de, salvo engano, mais 20 anos, isto para todos aqueles concessionários que aceitassem promover, de imediato, o tal desconto.

É óbvio que ninguém recusou a oferta e a maneira encontrada para eles bancarem  o acordado foi a do caminho mais perigoso, o único capaz de reduzir logo os custos de produção de energia: eliminou-se a geração através de térmicas e, para tanto, esvaziaram os lagos que reservavam nossas águas pois, a energia elétrica, era e ainda é hoje, sabidamente, a produzida com o menor custo, além de ainda tender a uma outra importante premissa: é limpa e não polui nada, diferentemente do que ocorre com a geração através das térmicas.

Com isto, bastou uma variação não esperada nas precipitações pluviométricas ocorrida alguns anos a seguir, para que, represas como a de Furnas, não mais conseguissem alcançar seus níveis máximos de armazenamento, Furnas passou os últimos 10 anos, operando abaixo dos 50% do nível por ela acumulado e, o problema se agravou mais ainda, quando surgiu a necessidade de se socorrer a hidrovia Tietê/Paraná, após um conchavo estranho, autorizado sabe-se lá por quem e em nome de que.

Desnecessário falarmos aqui sobre os riscos de apagão e sobre a necessidade da adoção de racionamentos e de outras medidas punindo o consumo (implantação das bandeiras tarifárias), que caíram sobre os ombros dos consumidores, a partir de 2012. Isto porque a caixa d’água que foi burramente esvaziada e não mais voltou a manter armazenado o volume máximo de água, matéria prima para a geração, praticamente, perdera sua função principal.

Quem não se lembra da correção que nos anos seguintes a 2013 houve nos preços cobrados dos consumidores ou, da desgraça econômico-social e ambiental que praticamente acabou com a geração de empregos, renda e atração de investimentos, na vasta região mineira, banhada pelo lago de Furnas?

E o pior é que os valores resultantes da tal redução – (presente da Dilma) – foram amplamente recuperados pelo setor elétrico (governo) nos anos subsequentes e até hoje, oneram os bolsos dos consumidores, já que são acrescidos de juros, de correção e de outros custos financeiros com os quais temos que bancar.

E agora, a poucos meses do pleito eleitoral, contando desta feita com a ajuda de São Pedro e graças a uma ação destemida e levada a cabo por milhares de componentes de grupos sociais, os quais, de uma forma ou de outra, conseguiram mudar o ritmo das medidas estranhas, mas sempre impostas pela ONS, agências reguladoras e pelo próprio Ministério de Minas e Energia na regulação de nossas águas, veio o presidente Bolsonaro antecipar em alguns dias a informação sobre o desligamento das termoelétricas – a nosso ver algo prematuro – em publicação através de suas redes sociais, primeiramente, e depois por meio de nota do Ministério, garantindo que as contas de energia deverão apresentar no próximo mês, uma redução da ordem de 20%.  Outra coincidência?

Mas, caros leitores, ainda não é hora de nos assustarmos, imaginando que “nossa vaca” novamente irá para o brejo – sinônimo da incompetência de uns poucos e da desolação para milhares de lindeiros, pois, isto é o que se percebe quando o barro fétido e a mortandade de peixes e de vegetais substituem a beleza natural que se vai com o desaparecimento de nosso espelho d’água das imediações dos 34 municípios, toda vez que nossas águas descem rio abaixo.

Desta vez pode ser diferente, queremos acreditar! Primeiramente porque as tais agências ainda devem se lembrar do sufoco que o lago esvaziado lhes trouxe e lhes trará se estiver vazio em caso de diminuição mais prolongada dos índices de precipitação pluviométrica.

Também não é possível que eles, os gestores, ainda não perceberam que as termoelétricas têm que funcionar sim, muito e exatamente no período chuvoso para que armazenemos o maior volume de água possível em nossos lagos.

Igualmente, queremos crer que eles, os gestores das águas, já perceberam que os seis a sete mil empregos gerados lá embaixo no Tietê/Paraná, não é nada frente ao que se causou por aqui em desemprego e renda, com a absurda adoção das medidas estranhas que até há poucos dias eles insistiam em manter vigorando.

E finalmente, é claro, que lá no Palácio da Alvorada, alguém deve saber de cor, quantos votos teremos aqui no entorno – em 34 municípios diretamente afetados e em outro tanto que indiretamente dependem do uso múltiplo das águas.

Ademais, leitores, os contratos já assinados com dezenas de novas termoelétricas que deverão atender parte da geração nos próximos anos e a criação de um grupo de trabalho que se destina a rever, dentre outras coisas, os requisitos a serem observados para os usos da água e a operação dos reservatórios das usinas hidrelétricas, é sim, uma chance de mantermos a salvo, o previsto na Constituição Brasileira, na Mineira e tudo o mais, conforme determina a Política Nacional de Recursos Hídricos.

Menos mal, e que os grupos sociais e todos àqueles que lutaram até então em prol desta causa, se mantenham atentos! A HORA É AGORA!

 

NR – Leia matéria da CNN sobre o mesmo assunto

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