A universitária Nathália Pereira de Jesus, que cursa o oitavo período de engenharia ambiental no Centro Universitário de Formiga (Unifor-MG), participou da Oficina Cidadania e Justiça Ambiental – Mesorregiões Central Mineira e Oeste de Minas, promovida pelo Grupo de Estudos em Temáticas Ambientais (Gesta) da Universidade de Minas Gerais (UFMG), nos dias 28 e 29 de novembro. Desde o início de 2007, o Gesta, em parceria com outras universidades, tem realizado uma extensa pesquisa para a construção de um mapa dos conflitos ambientais de Minas Gerais.
Durante a oficina, a estudante do Unifor-MG apresentou o projeto de conclusão de curso intitulado ?Avaliação dos impactos ambientais no Morro Cavado de Formiga-MG 10 anos após a desova do Lixo Fiat?. O objetivo principal foi fazer uma nova avaliação dos impactos ambientais causados com o despejo do lixo pela Fiat S/A em Formiga, comparando os valores obtidos hoje com os valores encontrados há dez anos, quando foi denunciada a desova. O estudo avaliou os teores de alumínio, chumbo, cobre, ferro e zinco nos solos e também a atividade enzimática. Outra proposta foi verificar se realmente foi feita a recuperação da área degradada pelo material poluente.
Segundo a universitária, o convite para a apresentação na UFMG foi feito porque, durante levantamento dos conflitos ambientais no Estado, a promotora de Meio Ambiente de Formiga, Luciana Imaculada de Paula, foi procurada e indicou o trabalho da estudante, que havia desarquivado o processo para estudo. Depois de passar por uma entrevista com um membro do Gesta, ela recebeu o convite e apresentou a pesquisa no mesmo dia da banca no Unifor-MG.
O estudo
Segundo a universitária, o tema foi escolhido devido à gravidade do caso e também pela forma que procederam com o lixo da Fiat depositado em Formiga, uma vez que o material poluente foi acondicionado em voçorocas localizadas em comunidades rurais do município de Formiga, situadas em uma Área de Preservação Permanente (APP) e muito próximas às nascentes do rio Formiga.
O caso do Lixo Fiat foi denunciado pelo jornal Nova Imprensa (na época denominado Gazeta do Oeste), conforme reportagem publicada no dia 30 de julho de 1999 com o título ?Degradação da natureza com certificado ISO 14001?. Segundo os processos movidos contra a montadora e que tramitaram na 2ª Vara Cível e na 1ª Vara Criminal da Comarca de Formiga, foram encontrados diversos materiais, todos acompanhados de notas fiscais emitidas pela própria Fiat S/A, mas quem assumiu as responsabilidades foram alguns fornecedores.
A desova desses produtos causou um dos maiores desastres ambientais da região e mereceu, assim, a atenção da imprensa local, regional, nacional e até internacional, além de ONG?s, como o Greenpeace, que também se interessaram pelo caso. Embora o lixo tenha sido descartado em três locais diferentes, o estudo foi feito apenas na comunidade de Morro Cavado, pelo fato de as nascentes do rio Formiga estarem neste local, que sofreu os impactos ambientais considerados mais graves.
Como conclusões, a universitária constatou que, decorridos dez anos do caso, a área impactada ainda apresenta vestígios de contaminação, uma vez que a recuperação da área degrada não foi feita de forma adequada. As análises realizadas no solo da comunidade de Morro Cavado mostraram que houve um aumento nos teores de chumbo e de cobre, quando comparados com os valores encontrados na época da desova.
A pesquisa constatou que os teores encontrados para o chumbo estão acima dos valores naturais para rochas graníticas e também para os padrões de referência no solo, portanto, as áreas ainda encontram-se contaminadas. Os valores obtidos apresentaram diferenças significativas entre os pontos pesquisados, apresentando processo de lixiviação. Também os valores encontrados para a atividade enzimática no solo apresentaram diferenças significativas, com valores baixos, que podem ser explicados pela presença do chumbo, uma vez que ele afeta amplamente a atividade enzimática, principalmente da celulase.
Foi confirmada a tese de que a contaminação pelo chumbo é irreversível, portanto, traz consequências como, por exemplo, afeta amplamente a atividade enzimática no solo e pode causar inúmeros efeitos tóxicos aos vegetais. Além disso, pode contaminar a água por meio de processos de lixiviação e o carreamento de partículas de solo pela erosão.
A universitária pretende dar continuidade ao estudo, com novas análises do solo, da água e das plantas nas áreas afetadas.








