Um terço dos cânceres de mama diagnosticados em países com rastreamento estabelecido não causaria sintomas ou não levaria as pacientes à morte, mesmo que não fossem tratados. É o que mostrou uma análise da Cochrane (organização internacional que avalia pesquisas médicas), divulgada em julho. Nesses casos, as mulheres passaram por tratamentos considerados invasivos e que podem ter sido desnecessários. Mas ainda não há maneira de saber quais tumores vão evoluir.
O estudo, publicado no British Medical Journal, considerou 315 artigos com dados de rastreamento com mamografia em cinco países (Reino Unido, Canadá, Austrália, Suécia e Noruega). Em todos os casos, as mulheres recrutadas tinham mais de 50 anos de idade. No Brasil, não existe política de rastreamento para nenhum tipo de câncer.
De acordo com dados do Inca (Instituto Nacional de Câncer), a incidência de novos casos nas mulheres em 2010 será de 25,6%, sendo o tipo que mais acomete o sexo feminino. A entidade pretende implementar até 2011 o rastreamento sistemático (com convocação de pacientes) para câncer de mama, recrutando para exames bienais as mulheres de 50 a 69 anos. Para isso, o instituto quer aumentar em quase 70% o número de mamografias, passando das 2,6 milhões realizadas em 2008 para 4,4 milhões estimadas em 2011.








