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Não é só o brasileiro que está devendo. O endividamento total do mundo é recorde e segue crescendo, conforme o último relatório Monitor Fiscal divulgado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). A dívida de setores não financeiros – empresas, governos e famílias – cresceu fortemente e chegou, hoje, a US$ 152 trilhões, o equivalente a 225% do Produto Interno Bruto (PIB) nominal do mundo em um ano.
Se esse débito fosse dividido pela população mundial, que está na casa de 7 bilhões de pessoas, cada habitante teria uma dívida de US$ 21.714.
E dívida alta representa preocupação, em especial no Brasil, onde as taxas de juros praticadas pelo sistema financeiro são elevadas, além dos impactos no investimento e geração de empregos.
Embora a taxa básica de juros do país, a Selic, esteja em 12,25%, na prática, os juros para pessoa física cobrados pelos bancos, financeiras e operadoras de cartão são bem mais elevados. O rotativo do cartão de crédito, que é motivo para dores de cabeça de muitos brasileiros, tem taxa média de juros de 15,56% ao mês, equivalente a 467,14% ao ano, conforme o último levantamento feito pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas (Fundação Ipead). “Taxas de juros nesse patamar não existem em qualquer outro lugar no mundo. Nenhum investimento ou aplicação financeira consegue rendimentos na casa dos 400% ao ano”, observa o professor de economia da Universidade Fumec Eduardo Amat.
Nos Estados Unidos, por exemplo, o Federal Reserve (Fed, o “Banco Central” norte-americano) elevou as taxas de juros do país em 0,25 ponto percentual. Dessa forma, elas estão num intervalo entre 0,75% e 1%.
Em razão dos juros elevados no Brasil, o professor de finanças do Ibmec/MG Ricardo Couto aconselha cautela na hora de usar o crédito, em especial, os mais caros do mercado, como cartão de crédito e cheque especial. “É necessário pensar bem antes de gastar, ainda mais em épocas de crise”, afirma o professor.
Ainda de acordo com o estudo do FMI, dois terços da dívida mundial, ou US$ 100 trilhões, são de empresas privadas.
Trecho do relatório da organização diz que “a dívida privada excessiva é um grande vento contrário à recuperação global e um risco para a estabilidade financeira”.
Para Ricardo Couto, é preocupante a velocidade do endividamento. Ele lembra que, muitas vezes, a dívida é feita pelas empresas em momentos de bonança na economia para fazer investimento. O problema é quando o cenário na economia muda para pior.
“E a dívida tem que ser paga, mesmo com a demanda menor. Aí, surge o risco de não conseguir honrar o pagamento da dívida feita”, analisa.
E não foi só a dívida das empresas que cresceu, o relatório do FMI mostra que a dívida pública no mundo passou de 70% do PIB mundial no início do século para 85% em 2015.
Emprego
O professor da Fumec chama a atenção para outro impacto da dívida muito alta, que é o investimento e, logo, na geração de postos de trabalho. “O dinheiro gasto com o pagamento da dívida poderia ser utilizado para fazer investimento. E, quanto mais as empresas investem, mais empregos podem ser gerados”, completa. Eduardo Amat ainda observa que ter uma dívida não é o problema. “A principal questão é saber administrar a dívida, saber a dose certa”, analisa.
Setor público
Dívida. Relatório do FMI alerta que o endividamento total do setor público brasileiro atingiu 73,7% do PIB em 2015, em torno de 30 pontos percentuais acima da média dos países emergentes.
No Brasil
56,2% das famílias tinham algum tipo de dívida em fevereiro.
9,8% das famílias devem permanecer inadimplentes.
76,8% dos endividados têm no cartão sua dívida principal.
Crescente
Agência de rating alerta empresas
SÃO PAULO. As empresas e bancos brasileiros têm US$ 73,2 bilhões de dívidas que vencem até 2021, 36% do total da América Latina, conforme relatório divulgado no fim de fevereiro, pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P), que alerta para o crescente montante de passivos que precisam ser refinanciados.
Dos US$ 61,4 bilhões de passivos a vencer detidos pelo setor não financeiro, a maioria, 75%, é de companhias avaliadas na categoria especulativa, que costumam pagar taxas mais caras para se refinanciarem.
Setor público preocupa o FMI
O nível de endividamento do setor público brasileiro, conforme o Fundo Monetário Internacional (FMI), é preocupante, pois reduz a “margem de manobra” do governo para empregar seu caixa em medidas necessárias para a economia.
Para o professor de economia da Fumec Ricardo Amat, a administração governamental é mais complexa. “Há receitas que são vinculadas, aumentar impostos na crise não significa incremento expressivo na arrecadação, pois as empresas estão passando por dificuldades e cortar pessoal é complicado em razão da estabilidade dos cargos”, analisa.
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Fonte: O Tempo Online ||








