O número crescente de cães espalhados pelas ruas de Formiga está se tornando, cada vez mais, um problema de saúde pública, já que esses animais doentes podem transmitir uma série de doenças contagiosas para os seres humanos, que podem levar até a morte. Visando a diminuição da população canina no município, haverá castração química gratuita para cães machos no dia 3 de outubro.
A iniciativa envolve diversos setores da sociedade, dentre eles o Unifor, o Ministério Público, a Associação Regional de Proteção Ambiental (ARPA) e a Prefeitura de Formiga.
A campanha de castração química será realizada das 9h às 16h em cinco Postos de Saúde da cidade: Alvorada, Abílio Machado, Sagrado Coração de Jesus, Souza e Silva e Água Vermelha.
A fim de controlar a superpopulação de cachorros abandonados, a promotora de Justiça de Defesa do Meio Ambiente, Luciana Imaculada de Paula, pediu à população que, se possível, leve cães de rua para o procedimento médico nos postos de atendimento. Segundo ela, associações parceiras distribuirão brindes, como camisetas, para os cidadãos que contribuírem com a campanha levando os animais de rua.
?Espera-se que essa campanha seja a primeira de um programa contínuo que objetiva obter o controle da população de animais domésticos em Formiga?, disse a promotora Luciana de Paula.
Questionada se existe algum projeto para recolher cães e gatos de rua, a promotora respondeu que o recolhimento de animais não é medida prioritária para o controle da população de animais domésticos, pois, segundo as orientações mais recentes da Organização Mundial de Saúde, a castração e a educação ambiental para a posse responsável são as condutas mais eficientes para o alcance desse objetivo.
Castração só para cães machos
O Centro de Planejamento de Natalidade Animal (CPNA) lançou uma injeção à base de derivado de zinco, que destrói as células que produzem os espermatozoides, tornando o animal estéril. O Infertile é o medicamento utilizado para realizar esse procedimento e já foi aprovado pelo Ministério da Agricultura. Ele é produzido pela Rhobifarma Indústria Farmacêutiva e passou por seis anos de testes e estudos.
De acordo com o coordenador do curso de veterinária do Unifor, professor Dênio Garcia Silva de Oliveira, a campanha de castração química atinge somente os cães machos, porque as fêmeas dessa espécie e os gatos não reagiram bem ao medicamento, segundo pesquisas. Nesses casos, a castração deve ser cirúrgica, no macho o procedimento é chamado de orquiectomia e trata-se da remoção cirúrgica dos dois testículos e dos cordões. Na fêmea, chama-se esterectomia (retirada dos ovários), ou pan-esterectomia (retirada de útero e ovários).
Dênio de Oliveira explicou que a castração química é uma alternativa menos agressiva, prática, de rápida aplicação e que dispensa pré e pós-operatório, anestesia ou sedação. O animal pode apresentar dor duas horas após a aplicação do medicamento, que pode ser controlada com analgésicos, e leve inchaço, que desaparece, no máximo, em uma semana.
Segundo informou o professor, no dia da campanha, será feito um cadastro para quem pretende castrar de forma cirúrgica a fêmea dos cães e gatos. Esse serviço gratuito será oferecido, primeiramente, somente para famílias de baixa renda e que recebem o Cartão do Bolsa Família.
Porém, conforme contou Dênio de Oliveira, existe a possibilidade, futuramente, de o Unifor estender o serviço de castração cirúrgica para outras classes sociais, isso dependerá da demanda da comunidade formiguense.
Convênio
Um convênio firmado entre representantes do Unifor e a Promotoria de Justiça ? Curadoria do Meio Ambiente, por meio da promotora Luciana de Paula, possibilitou a criação do canil do curso de medicina veterinária do Centro Universitário, que funciona como local de estágios para estudantes da graduação. Os acadêmicos que prestam o serviço no local recebem desconto de 50% no valor da mensalidade.
O Unifor não recolhe aleatoriamente ou adota cães cujos donos não os querem mais. Frequentemente, animais são abandonados nos arredores do Centro Universitário, na expectativa de que sejam recolhidos pelo canil. Porém, isso não ocorre. O canil é um lugar temporário para os cães receberem os tratamentos necessários, como banho, vermifugação, vacinas e alimentação adequada.
Atualmente, há 25 cães, sendo 19 filhotes (5 machos e 14 fêmeas) e 6 adultos (1 macho e 5 fêmeas) disponíveis para adoção. Os animais são de raças mistas, como basset, rottweiler, pastor alemão e outras.
Para o procedimento da adoção, é necessário o preenchimento de um termo de responsabilidade, apresentação de identidade e CPF, comprovante de residência e apresentação do endereço onde o animal ficará. O contato deve ser feito junto à coordenação e à estagiária do canil, Vanessa Vitória Silvestre, do 8º período do curso.
Centro de Controle de Zoonoses
No dia 4 de abril, o prefeito Aluísio Veloso/PT assinou o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), conforme proposta do Ministério Público, para implantação de políticas públicas eficientes no controle da população de animais domésticos do município, com o objetivo de reduzir problemas ambientais de ofensas ao direito animal, à ordem urbanística e suas implicações na saúde humana.
Na época, de acordo com a Secretaria de Comunicação, o prefeito se comprometeu, no prazo de seis meses, a colocar em funcionamento o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) com estrutura material necessária e contratação de funcionários.
De acordo com a promotora Luciana de Paula, a administração municipal ainda está no prazo para implementar as medidas necessárias para colocar o CCZ em funcionamento, como aquisição de materiais e designação de pessoal.
Para o funcionamento do CCZ, deverão ser contratados, no mínimo, 10 funcionários, que deverão passar por treinamento qualificado e periódico, de modo a evitar maus tratos aos animais.
O Centro de Controle de Zoonoses terá a capacidade de abrigar até 90 animais. A construção do CCZ custou aproximadamente R$ 210 mil. Com a compra de equipamentos, o município deverá gastar em torno de R$ 80 mil, já para a manutenção, ainda não existe uma estimativa de valores.
TAC
De acordo com o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), só será permitida a morte de animais nocivos à saúde e à segurança humana ou que apresentarem casos de doença terminal ou quadro irreversível, com certificação do veterinário responsável. Além disso, a eutanásia deverá ser acompanhada pelo profissional e ser realizada de forma individual e por método recomendado.
O TAC ainda proíbe a captura de animais sadios, a não ser em casos de vacinação, tratamento e castração. Nestes casos, o animal deverá ser inserido em programa de adoção, conforme informou a secretaria.
Formiga
Campanha de castração química gratuita ocorrerá no dia 3 de outubro
- por Últimas Notícias
- 16/09/2011 - 15:24








