Morreu no sábado (28) uma menina, de 4 anos, com suspeita de contaminação por raiva humana. A criança, que morava na tribo Maxakali, entre Águas Formosas e Bertópolis, no Vale do Mucuri, estava internada no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, em Belo Horizonte.

A informação do óbito foi confirmada pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais. Segundo a pasta, exames laboratoriais já foram realizados, mas os resultados ainda não estão disponíveis. Caso confirmada a contaminação, essa seria a quarta morte por raiva humana em Minas neste ano.

A vítima em questão foi transferida neste sábado pelo Corpo de Bombeiros para BH com quadro de encefalite viral, uma infecção do sistema nervoso que provoca a inflamação do cérebro.

Apesar da secretaria ter informado que a criança é de Bertópolis, o resgate foi feito pelos bombeiros na rua doutor Josino Abranges, no bairro Maria Júlia, em Águas Formosas. Os dois municípios são vizinhos. Até o momento, Minas já confirmou três mortes por raiva humana – todas em crianças e registradAs na área rural de Bertópolis.

As vítimas morreram em abril e tinham 12 e 5 anos. Infectologista e professor da Faculdade de Medicina da UFMG, Geraldo Cury alerta que a ocorrência de casos em regiões indígenas pode estar relacionada a hábitos culturais das crianças que brincam com os morcegos.

“Trabalhar com uma questão cultural é mais difícil, então precisa-se pensar na vacinação em massa para essas crianças e toda a população. Depois que adquire o vírus a mortalidade é elevadíssima”, alerta o docente.

Segundo Cury, a doença não tem um tratamento definido, apenas medidas paliativas para manter a pessoa em vida. “A raiva atinge principalmente o sistema nervoso, cérebro e daí a sua gravidade”, explica. “Qualquer pessoa mordida pelo morcego ou outro animal contaminado pode desenvolver a doença”, complementou o médico.

Vacinação

Com a ocorrência de casos na mesma região, a Secretaria de Estado de Saúde reforçou a vacinação contra raiva na zona rural de Bertópolis. Foram distribuídas doses antirrábicas para humanos, além da aplicação em cães e gatos.

“Até 20/05/2022, 2.429 pessoas das 2.500 das comunidades rurais do município de Bertópolis e região já haviam sido vacinadas com a primeira dose da vacina contra a raiva humana (cobertura vacinal de 97,01%). Outras 2.000 pessoas já tomaram a segunda dose (80%), observando-se um intervalo de no mínimo sete dias”, informa a pasta.

Em cães e gatos foram aplicadas doses em 755 animais. Estudos são feitos na região, com a participação do Ministério da Saúde, para elucidar alguns pontos sobre a doença como sintomas e respectivos quadros terapêuticos e desfechos clínicos. Outros focos da pesquisa são os hábitos e peculiaridades populacionais.

O último caso de raiva humana havia sido registrado em Minas em 2012, em Rio Casca. “A SES-MG destaca a importância de se procurar a Unidade de Saúde mais próxima para avaliação da necessidade de adoção de medidas profiláticas (administração de vacina e/ou soro) em caso de qualquer incidente com mamíferos silvestres ou domésticos, sobretudo morcegos, cães e gatos”, recomenda.

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