A crise hídrica, que ameaça a distribuição de energia no país, pode impactar a produção de veículos por montadoras nacionais.

O alerta foi dado ontem pelo presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Carlos Moraes, que teme que a pior seca em 90 anos possa interromper a atividade da indústria automotiva.

Segundo ele, o rebaixamento do nível das hidrelétricas por causa da falta de chuva já gera impacto devido ao acionamento das usinas termelétricas, que elevam o custo da energia.

“É algo que preocupa, porque a energia mais cara aumenta o custo de produção em toda a cadeia. É mais um elemento de pressão nos preços. Mas o pior cenário possível é haver parada de produção por falta de energia. Isso preocupa bastante”, disse Moraes. As informações são do portal Uol.

As montadoras estão monitorando a situação semanalmente, com dados do Ministério de Minas e Energia (MME) e das distribuidoras de energia, diz o presidente da Anfavea.

De acordo com ele, a crise pode se estender até o ano que vem.

“Estamos torcendo para conseguir passar novembro (sem racionamento) e para que volte a ter chuva. Mas sabemos que o desafio não será só neste ano. Vamos ter que continuar monitorando em 2022”, afirmou.

No mês passado, o governo federal lançou um programa para estimular a redução voluntária de energia na indústria. A Anfavea ainda não tem o levantamento de quantas empresas do setor automotivo vão aderir. 

Componentes

As montadoras também enfrentam uma crise causada pela escassez de componentes eletrônicos. Segundo a Anfavea, em agosto, houve paralisações totais ou parciais de 11 fábricas, por conta da falta de semicondutores.

“Essa situação dos semicondutores traz uma enorme imprevisibilidade para o desempenho da indústria no restante do ano. Num cenário normal, estaríamos produzindo num ritmo acelerado nesta época, quando as vendas geralmente ficam mais aquecidas. No ano passado, tínhamos boa produção no segundo semestre, mas uma demanda imprevisível em função da pandemia. Neste ano, temos a volta da demanda, mas infelizmente uma quebra considerável na produção”, disse o presidente da entidade.

Segundo a Anfavea, a crise dos semicondutores se reflete nos estoques que estão sendo consumidos rapidamente e sem condição de renovação. No início do mês, havia 76,4 mil unidades disponíveis, o suficiente para menos de duas semanas de vendas, o que explica as filas de espera para vários produtos.

Produção caiu 21,9% em 12 meses

Com falta de peças, em especial componentes eletrônicos, nas linhas de montagem, a produção de veículos recuou 21,9% em agosto frente ao mesmo período do ano passado.

No total, 164 mil unidades foram montadas, entre carros de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus, num resultado praticamente em linha (leve alta de 0,3%) com o número de julho.

Só nas linhas de carros de passeio, as mais prejudicadas pela escassez mundial de componentes eletrônicos, a produção, um total de 119 mil unidades, registrou o pior agosto em 18 anos.

O balanço foi divulgado ontem pela Anfavea, entidade que representa as montadoras e que agora registra, na soma de todas as categorias, crescimento de 33% da produção do setor desde o início do ano. De janeiro a agosto, a indústria automotiva produziu 1,48 milhão de veículos.

Como falta carro nas concessionárias, as vendas, embora exista demanda, caíram 5,8% em agosto ante o mesmo período de 2020. As 172,8 mil unidades vendidas são as mais baixas para o mês em 16 anos. Na comparação com julho, a queda foi de 1,5%.

Desde o início do ano, o total vendido chega a 1,42 milhão de veículos, 21,9% a mais do que nos oito primeiros meses de 2020, um período, como sempre é preciso contextualizar, em que as vendas foram muito fracas em razão do impacto da pandemia.

Fonte: O Tempo

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