A atleta bielorrussa Krystsina Tsimanouskaya afirmou que os chefes da delegação de Belarus nas Olimpíadas de Tóquio “deixaram claro” que a velocista seria punida ao voltar ao país.

Ela pediu ajuda ao Comitê Olímpico Internacional (COI) quando era levada à força ao aeroporto, e autoridades impediram que ela deixasse o Japão. Ela está em segurança e embarcou na manhã desta quarta-feira (4) para a Polônia.

Tsimanouskaya foi forçada no começo da semana a abandonar as Olimpíadas por criticar técnicos e dirigentes de Belarus, um país governado por Alexander Lukashenko, líder autoritário que está no poder desde 1994 e é conhecido como “o último ditador da Europa”.

O Comitê Olímpico Bielorrusso é dirigido por seu filho, Viktor Lukashenko.

Em entrevista à agência Associated Press, Tsimanouskaya disse na terça-feira (3) que os diretores da delegação afirmaram que a decisão de forçar o retorno da atleta partiu de outras pessoas — o que, para ela, ficou claro que se tratava de uma represália do governo.

“Eu gostaria muito de continuar minha carreira no esporte porque eu só tenho 24 anos e ainda planejo mais duas Olimpíadas, no mínimo. Mas agora só o que me preocupa é minha segurança”, disse a atleta.

Nesta quarta-feira (4), autoridades austríacas confirmaram que a atleta passará pela capital Viena antes de seguir para a Polônia, que lhe concedeu um visto humanitário.

Arseni Zdanevich, marido da atleta, fugiu para a Ucrânia ao saber do problema com Tsimanouskaya. Em entrevista à AP, ele disse que espera reencontrar a esposa logo, de preferência na Polônia, país vizinho que abriga uma grande comunidade de desertores do regime de Belarus.

“Foi tudo de repente. Só tive uma hora para pegar minhas coisas e ir”, disse Zdanevich.

Atleta teme voltar a Belarus

No domingo, Tsimanouskaya denunciou que foi forçada a deixar os Jogos Olímpicos por seu técnico, Yuri Moiseyevitch, e que mais tarde funcionários do Comitê Olímpico de Belarus a acompanharam ao aeroporto para que ela voltasse ao seu país.

Poucos dias antes, a atleta havia criticado a Federação de Atletismo de seu país por obrigá-la a participar do revezamento 4×400 metros, quando inicialmente teria de correr apenas as provas de 100 e 200 metros.

Segundo Tsimanouskaya, duas corredoras bielorrussas não passaram pelos testes antidoping e não puderam competir.

Tsimanouskaya disse que estava com medo de ser presa se voltasse para Belarus e pediu a intervenção do COI — que garantiu a sua segurança até a definição para onde ela iria.

Fonte: G1

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