O caso da suposta aparição de um extraterrestre em Varginha, no Sul de Minas Gerais, completa 30 anos no próximo dia 20 de janeiro ainda cercado de teorias e questionamentos. No entanto, documentos oficiais das Forças Armadas, divulgados pelo Superior Tribunal Militar (STM), apontam para a inexistência de qualquer evidência que sustente a narrativa ufológica conhecida como o “ET de Varginha”.
O STM mantém arquivados dois volumes de um Inquérito Policial Militar (IPM), com cerca de 300 páginas cada, instaurado em março de 1997 pelo comando da Escola de Sargentos do Exército. O objetivo da investigação foi apurar boatos sobre um possível envolvimento de militares e de viaturas do Exército na apreensão e no transporte da suposta criatura.
De acordo com a apuração, o episódio teria sido resultado de uma história fictícia surgida em um dia de forte chuva, com registro inclusive de queda de granizo. Na ocasião, três jovens relataram ter visto uma suposta criatura agachada próxima a um muro, em um bairro da cidade. Conforme depoimentos colhidos no inquérito, incluindo o de um militar do Corpo de Bombeiros de Varginha, a cena pode ter sido fruto de uma interpretação equivocada. A investigação aponta que as testemunhas possivelmente confundiram um homem com transtornos mentais, conhecido por circular pelas ruas da cidade e por permanecer frequentemente agachado em diferentes locais. Fotografias anexadas ao IPM reforçam essa hipótese, indicando que, molhado pela chuva e abrigado junto ao muro, o homem teria sido erroneamente identificado como um ser extraterrestre.
A nota do STM informa ainda que o inquérito ouviu os dois ufólogos responsáveis por um livro que popularizou o caso em âmbito nacional e motivou diversas reportagens jornalísticas à época. Todos os militares citados na obra foram formalmente ouvidos e negaram qualquer participação no suposto episódio. O IPM também detalha itinerários, horários de saída e retorno de viaturas militares mencionadas nas versões divulgadas, demonstrando a inexistência de deslocamentos compatíveis com o alegado transporte da criatura. Motoristas e superiores hierárquicos igualmente negaram envolvimento.
O episódio ganhou notoriedade em 20 de janeiro de 1996, por volta das 15h30, quando duas irmãs e uma amiga afirmaram ter encontrado um ser estranho ao atravessar um terreno baldio. Elas descreveram a criatura como de baixa estatura, franzina, com cabeça desproporcional, grandes olhos vermelhos sem pupila ou íris e três protuberâncias no crânio, além de veias aparentes nos ombros. O relato ajudou a consolidar a figura do ET de Varginha no imaginário brasileiro. Três décadas depois, porém, os documentos oficiais das Forças Armadas concluem que não há evidências que comprovem a existência do suposto extraterrestre.
Com informações do Itatiaia







