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Mudanças climáticas alteram comportamento dos animais e ameaçam o equilíbrio dos ecossistemas, alertam especialistas

Foto: Magnific/Imagem ilustrativa

As mudanças climáticas já provocam impactos perceptíveis no comportamento da fauna em diferentes ecossistemas. O aumento das temperaturas, as alterações no regime de chuvas e a maior frequência de eventos climáticos extremos estão modificando os períodos de reprodução, migração, alimentação e busca por abrigo de diversas espécies.

Segundo especialistas, essas alterações afetam os ciclos biológicos dos animais e podem desencadear efeitos em cadeia capazes de comprometer a biodiversidade, o equilíbrio dos biomas e até serviços ambientais essenciais para a sociedade.

Muitas espécies utilizam fatores ambientais, como temperatura e precipitação, para determinar o momento de se reproduzir, migrar ou buscar alimento. Quando esses sinais naturais são modificados, os ciclos biológicos deixam de ocorrer no período esperado, prejudicando a sobrevivência de animais e plantas.

Além dos impactos sobre a fauna, as mudanças climáticas também favorecem a aproximação de animais silvestres das áreas urbanas, aumentando a ocorrência de conflitos, prejuízos econômicos e riscos à saúde.

O professor Raphael Igor da Silva Corrêa Dias, docente de Ciências Biológicas do Centro de Ensino Unificado de Brasília (CEUB), explica que os efeitos mais evidentes ocorrem em comportamentos relacionados ao tempo e ao espaço, como os períodos de reprodução, migração e utilização dos habitats.

Segundo o especialista, o aumento da temperatura e as mudanças no regime de chuvas influenciam diretamente a disponibilidade de recursos naturais, como frutos, sementes e insetos, principalmente em biomas sazonais, como o Cerrado. Esse cenário pode gerar um descompasso entre os períodos de maior necessidade energética dos animais e a oferta de alimento.

Dias destaca que espécies generalistas, capazes de utilizar diferentes fontes de alimento e ocupar variados ambientes, costumam apresentar maior capacidade de adaptação. Já os animais especialistas ou restritos a determinadas regiões tendem a ser mais vulneráveis às mudanças ambientais, aumentando o risco de redução populacional.

Para o professor, as mudanças climáticas vão além do impacto sobre espécies isoladas e alteram as relações ecológicas responsáveis pelo funcionamento dos ecossistemas.

A bióloga Giovanna Nardeli, professora da Universidade Católica de Brasília (UCB), afirma que diversas espécies já apresentam alterações nos horários de atividade, deslocamento para novas áreas e mudanças nos ciclos reprodutivos como resposta às transformações climáticas.

De acordo com a especialista, a escassez de água e alimento leva muitos animais a procurar recursos em áreas urbanas e rurais, aumentando a frequência de encontros com pessoas, acidentes e até o risco de transmissão de doenças.

Giovanna ressalta ainda que essas mudanças comprometem funções ecológicas essenciais, como a polinização, a dispersão de sementes e o controle natural de pragas. Quando esses processos deixam de ocorrer de forma equilibrada, toda a cadeia alimentar pode ser afetada, reduzindo a biodiversidade e a capacidade dos ecossistemas de permanecerem saudáveis.

A especialista destaca que, quando diferentes espécies deixam de encontrar condições adequadas para sobreviver, os impactos deixam de atingir apenas a fauna e passam a afetar serviços ambientais fundamentais para a sociedade.

Embora algumas espécies consigam se adaptar às novas condições ambientais, especialistas alertam que essa capacidade possui limites. O ritmo acelerado das mudanças climáticas pode superar a velocidade de adaptação de muitos animais, principalmente daqueles que dependem de ambientes específicos para sobreviver.

Como consequência, aumentam os riscos de declínio populacional, extinções locais e desequilíbrios ecológicos capazes de afetar a produção de alimentos, a conservação da biodiversidade e diversos serviços ambientais essenciais para a vida humana.

 

Com informações do Metrópoles