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Existe um lugar em Formiga, pequeno, simples, sem muito conforto, mas que causa curiosidade a qualquer um que entre e permaneça por apenas alguns minutos.
De repente alguém aparece carregando uma sacola, cheia de remédios, outra pessoa estaciona o carro e entrega uma caixa repleta de agasalhos.
Um homem entra e diz: Perdi minha carteira, com dinheiro e todos os meus documentos! E outra voz responde: se for ladrão honesto deve está aqui. Para felicidade daquele senhor que até então se encontrava desesperado, o que havia perdido realmente estava ali, dentro de um arquivo altamente organizado, dividido por letras e o homem sai agradecido e satisfeito.
Você sabe quem está precisando de uma geladeira? Pergunta uma senhora, já idosa. Onde eu faço inscrição para pedreiro? Ouvi o senhor falar hoje pela manhã, estou desempregado há seis meses. A resposta vem logo: nota dez pra você! Eu gosto de quem olha nos olhos, corra na frente e vá até esse endereço agora mesmo.
De repente, chega em suas mãos uma carta lacrada, ele abre discretamente, começa a ler, balança a cabeça, olha para os lados e diz: É uma denúncia, e não posso dizer nada antes de apurar os fatos.
Pois não? Em que posso ser útil? A voz tranquila, mas firme, interrompe tudo, é hora de trabalhar e ali o cliente não espera. Após o atendimento, tudo volta ao normal, se podemos chamar tudo isso de normal. O repórter peão chega correndo, trazendo más notícias, junto com ele, um carro da Polícia passa com a sirene ligada e o telefone toca, é a redação da TV Oeste, buscando informações.
O telefone toca novamente e ao desligar ele toca outra vez, são as emissoras Integração e Alterosa, todos querendo a mesma coisa: informações. Elas chegam até ele, sem precisar sair do lugar, sem abandonar sua principal atividade profissional.
Agora é um grupo de jovens estudantes, solicitando material para uma pesquisa escolar. Um velho conhecido se aproxima, lhe apresentando um sobrinho que está iniciando na área de comunicação. Um grito de quem está feliz: estou de volta a minha terra e quero saber das novidades, o que anda acontecendo por aqui? Afinal, são quinze anos que fui embora e voltei pra ficar.
Faça frio ou calor, para ele todo céu é de brigadeiro e como um raio ele vai narrando tudo que a população quer saber, num formato diferenciado, rápido, sem vinhetas, pois para ele, o que importa é a notícia conquistada durante a madrugada. Para quebrar o gelo, diante de tanta informação, ele dispara que o Toninho endoidou com as promoções do Ki Sacolão.
Pensa que termina por aí? Nada disso, ele é extremamente religioso, acompanha as Missas em pé, canta e reza em voz alta e grave.
Admirado e respeitado, se sente indignado com as injustiças e sua credibilidade é a resposta sobre o tratamento que entrega as pessoas, principalmente as mais simples. Sua causa é infinita e voluntária. Esse é o cara, o repórter do povo e um ourives exemplar. Esse é Claudinê dos Santos.
Vá com Deus, Claudinê. Vá com Deus…
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