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Estudo aponta que raças brasileiras de cães podem ter origem genética mais diversa

Foto: Imagem criada por IA/Ilustrativa

Um estudo brasileiro revelou que duas das principais raças caninas do país, o Fox Paulistinha e o Fila Brasileiro, podem não possuir uma trajetória genética totalmente pura. A pesquisa analisou o genoma mitocondrial dos animais, método que permite identificar a linhagem ancestral materna, e trouxe novas perspectivas sobre a origem dessas raças.

De acordo com os pesquisadores, a evolução do Fox Paulistinha e do Fila Brasileiro provavelmente envolveu cruzamentos mais complexos do que os registrados historicamente. Apesar disso, os cientistas ressaltam que o resultado não representa um problema, mas sim uma característica natural do processo biológico.

O estudo também destaca que a busca pela “pureza” das raças pode trazer consequências negativas. O isolamento reprodutivo pode levar ao acúmulo de genes menos favoráveis e aumentar o risco de doenças associadas ao parentesco.

Segundo o coordenador da pesquisa, Francisco Prosdocimi, a diversidade genética tende a favorecer a saúde e a resiliência dos animais. Ele explica que, enquanto o mercado de criadores busca homogeneidade, a biologia aponta que genomas mais diversos estão associados a melhores condições de saúde.

Ainda conforme o pesquisador, compreender a estrutura genética das raças ajuda a evitar interpretações equivocadas sobre a ancestralidade e pode orientar decisões mais adequadas no manejo reprodutivo, especialmente em populações pequenas.

A investigação foi conduzida por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em parceria com o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Para a análise, foi selecionado um indivíduo de cada raça, dos quais foram coletadas amostras de sangue.

O material genético foi sequenciado para obtenção do DNA mitocondrial, posteriormente comparado com dados de outras raças disponíveis em bancos genéticos. O objetivo foi identificar semelhanças evolutivas e reconstruir relações de ancestralidade.

Historicamente, o Fox Paulistinha é associado ao grupo dos terriers, sendo também chamado de Terrier Brasileiro. Já o Fila Brasileiro, conhecido como Mastim Brasileiro, é classificado entre os mastins.

No entanto, os resultados indicaram que essas raças não apresentam conexão genética direta com os grupos tradicionalmente apontados como seus ancestrais. Segundo os pesquisadores, isso sugere múltiplas origens maternas e possíveis cruzamentos não registrados ao longo do tempo.

A análise também indica que a classificação por grupos pode refletir mais características físicas do que uma ancestralidade genética comprovada.

Para os cientistas, a descoberta amplia o entendimento sobre as raças caninas brasileiras, indo além de registros históricos e aspectos morfológicos. O estudo foi publicado na revista Genetics and Molecular Biology nesta sexta-feira (17).

A equipe pretende avançar nas pesquisas, ampliando a amostragem de cães e realizando comparações com raças da América Latina, a fim de aprofundar o conhecimento sobre a genética canina na região.

Os resultados reforçam que a diversidade genética é um fator importante para a saúde e evolução das raças. Ao questionar a ideia de pureza, o estudo contribui para uma visão mais ampla e científica sobre a origem dos cães brasileiros e pode influenciar práticas futuras de criação e conservação.

Com informações do Metrópoles