Internacional

EUA comunicam Brasil sobre ofensiva contra facções criminosas

Foto: Reprodução/Instagram @realdonaldtrump – Poder 360

O governo dos Estados Unidos comunicou previamente ao presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, sua intenção de endurecer o combate a facções criminosas brasileiras. A medida em estudo prevê a classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, o que pode trazer impactos financeiros e diplomáticos relevantes.

Durante reunião com Galípolo, autoridades norte-americanas informaram que Washington caminha para enquadrar CV e PCC como organizações terroristas estrangeiras. A iniciativa ocorre apesar da resistência do governo brasileiro.

Segundo o Departamento de Estado, essas facções movimentam grandes quantias por meio de lavagem de dinheiro. A nova classificação permitiria ampliar o rigor no combate financeiro, com o objetivo de dificultar as operações dessas organizações.

O aviso prévio ao Brasil foi considerado uma deferência diplomática, já que outros países não receberam comunicação antecipada sobre medidas semelhantes. Como exemplo, o México não foi informado antes de os Estados Unidos classificarem seis de seus cartéis como organizações terroristas.

A possível classificação representa uma mudança significativa na política externa dos Estados Unidos para a América Latina. Ao atribuir status de terrorismo a essas facções, o governo americano amplia o alcance de suas ações, especialmente no campo financeiro.

Com isso, o Departamento do Tesouro passa a atuar com mais rigor, permitindo o congelamento imediato de ativos em território americano e proibindo qualquer tipo de suporte material por indivíduos ou entidades sob jurisdição dos EUA. Na prática, isso cria barreiras para o uso do sistema bancário internacional por essas organizações.

A medida coloca o governo brasileiro em uma posição diplomática delicada. Tradicionalmente, o Palácio do Planalto e o Ministério da Justiça e Segurança Pública defendem que o combate ao crime organizado deve ocorrer por meio de cooperação policial internacional.

A abordagem norte-americana, no entanto, eleva o tema ao nível de segurança nacional, o que gera preocupação no Brasil.

A resistência do governo Lula está relacionada ao receio de que a classificação possa abrir precedentes para intervenções externas ou sanções indiretas. Há também preocupação com possíveis efeitos negativos sobre a soberania nacional, a economia e setores como o turismo.

A possível classificação de facções brasileiras como organizações terroristas pelos Estados Unidos marca uma inflexão na forma de enfrentamento ao crime organizado na região. Enquanto Washington aposta no endurecimento financeiro, o Brasil mantém cautela diante dos potenciais impactos diplomáticos e econômicos da medida.

Com informações do Metrópoles