O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) realizou 117 operações entre janeiro e dezembro do ano passado, sendo 13 na Região Central do estado, oito em Divinópolis, oito em Governador Valadares, oito em Ipatinga, nove em Juiz de Fora, oito em Montes Claros, uma em Paracatu, cinco em Passos, uma em Patos de Minas, 14 em Pouso Alegre, 12 em Uberaba, oito em Uberlândia, nove em Varginha e 13 em Visconde do Rio Branco.

Em Passos, foram cinco operações, 162 prisões, 39 mandados de busca e apreensão cumpridos e R$32,7 milhões apreendidos ou bloqueados, o segundo maior valor entre as unidades regionais do Gaeco no ano passado. Também foram apreendidos dois veículos e desarticuladas três organizações criminosas, informa o MPMG,

O balanço foi divulgado na terça-feira (21) e as operações foram realizadas em parcerias com as polícias Civil, Militar, Penal e Rodoviária Federal. No mês de julho são esperados números referentes às atividades do primeiro semestre de 2022.

Segundo informações do MPMG, foram apreendidos ou bloqueados cerca de R$ 505 milhões. Só o Gaeco de Pouso Alegre conseguiu o bloqueio/apreensão de R$ 467.103.578,61, resultado do trabalho investigativo que culminou na deflagração da Operação Black Monday, em março de 2021, como esclarece a coordenadora do Gaeco Central, promotora de Justiça Paula Ayres.

A operação desarticulou uma organização criminosa voltada para a prática de crimes de “pirâmide financeira”, crimes contra relações de consumo e de lavagem de dinheiro. Esses mais de R$ 467 milhões incluem valores oriundos de ordens judiciais de sequestro e arresto de bens. Efetivamente, conforme explica o Gaeco, cerca de R$ 30 milhões já foram apreendidos e serão utilizados, futuramente, no ressarcimento às vítimas do golpe da “pirâmide financeira”.

Sobre o restante dos valores apreendidos/bloqueados, ou seja, pouco mais de R$ 38 milhões, Paula Ayres explica que parte será usado para o ressarcimento de vítimas – envolvidas em diferentes situações – e parte vai para fundos instituídos em lei, especialmente para o Fundo Especial do Ministério Público de Minas Gerais (Funemp), que é vinculado à unidade orçamentária da Procuradoria-Geral de Justiça.

O Funemp tem por finalidade assegurar recursos, visando ao aperfeiçoamento das atividades institucionais do MPMG, consignadas no artigo 129 da Constituição Federal, especialmente o reaparelhamento e a modernização da instituição para o combate ao crime organizado e para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos.

Em 2021, por exemplo, o Funemp aprovou R$ 4,2 milhões em recursos para a compra pela Polícia Militar de Minas Gerais de centenas de câmeras corporais, bem como de número equivalente para a compra de pistolas de impulso elétrico (PEIEs).

Seiscentas e sessenta e duas pessoas foram presas, entre elas 14 funcionários públicos. Foram cumpridos 999 mandados de busca e apreensão e 70 armas de fogo, dos mais variados calibres, foram apreendidas. Essas armas, segundo o Gaeco, ficam sob a responsabilidade da Polícia Civil até ordem judicial para irem pro exército, onde são destruídas.

Foram apreendidos ainda 173 veículos. Alguns, após ordem judicial, são utilizados pelo próprio Gaeco, Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e Corpo de Bombeiros Militar.

Ainda como parte do trabalho investigativo, o Gaeco realizou 86 interceptações telefônicas, autorizadas judicialmente, que compreenderam 3.419 telefones interceptados.

Todo esse trabalho resultou na desarticulação de 78 organizações criminosas que atuavam em Minas Gerais e outros estados.

Abrangendo todo o trabalho desenvolvido pelo Gaeco, nas mais diversas regiões de MG, foram instaurados 745 procedimentos extrajudiciais, sendo 441 Procedimentos de Apoio à Atividade Fim (PAAF), 217 Procedimentos Investigatórios Criminais e 87 Notícias de Fato.

Fonte: Folha da Manhã

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