O Ministério da Saúde anunciou a destinação de R$ 12 milhões para o fortalecimento de ações de vigilância e controle da doença de Chagas em 17 estados brasileiros. O investimento será aplicado em municípios prioritários com foco na ampliação da capacidade de monitoramento, prevenção e resposta à doença.
Segundo a pasta, os recursos reforçam a atuação contínua em 155 municípios considerados prioritários. As ações incluem captura e monitoramento de vetores, vigilância epidemiológica e resposta rápida a possíveis focos da doença.
O ministério também destacou que as cidades de Anápolis (GO) e Goiânia receberam selo bronze de boas práticas relacionadas à eliminação da transmissão vertical da doença de Chagas, reconhecendo avanços na área.
A escolha dos municípios beneficiados foi baseada em critérios técnicos que consideram a interação entre vetores e o ambiente, além da vulnerabilidade social das localidades.
Foram priorizadas cidades classificadas como de risco muito alto em índice composto e aquelas com registro recente de presença do vetor. Também entraram na seleção municípios com alta e muito alta prioridade para a forma crônica da doença, especialmente nas regiões Nordeste e Sudeste.
O Ministério da Saúde anunciou ainda, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a fase 2 do projeto Selênio no tratamento da cardiopatia crônica da doença de Chagas.
O estudo busca avaliar a eficácia e a segurança do selênio como estratégia terapêutica complementar. Ao todo, serão investidos R$ 8,6 milhões na pesquisa, que pretende gerar evidências científicas mais robustas sobre o uso da substância.
A expectativa do governo é que os resultados possam subsidiar futuras tecnologias baseadas em selênio, com possível incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente por sua ação antioxidante e anti-inflamatória.
Os dados mais recentes mostram a persistência da doença de Chagas no país. Em 2024, foram registrados 3.750 óbitos, com maior concentração no Sudeste. No mesmo período, houve 520 casos agudos, principalmente no Norte, com destaque para o Pará.
Em 2025, dados preliminares apontam 627 casos agudos, sendo 97% no Norte, e 8.106 casos crônicos, com maior concentração em Minas Gerais, Bahia e Goiás.
A doença de Chagas é causada pelo parasita Trypanosoma cruzi e possui duas fases: aguda e crônica. Na fase aguda, podem ocorrer sintomas como febre prolongada, dor de cabeça, fraqueza e inchaço. Já na fase crônica, a doença pode evoluir silenciosamente e causar problemas cardíacos e digestivos.
A transmissão pode ocorrer por meio de vetores (barbeiro), ingestão de alimentos contaminados, transmissão vertical, transfusão de sangue, transplantes ou acidentes laboratoriais.
Entre as medidas de prevenção estão ações para evitar a presença do barbeiro nas residências, uso de telas, mosquiteiros e repelentes, além de cuidados com a higiene dos alimentos.
Também são recomendadas práticas como lavar frutas e verduras com água potável, armazenar alimentos adequadamente e manter boas condições de higiene durante o preparo.
Com novos investimentos, projetos de pesquisa e ações de vigilância, o Ministério da Saúde busca ampliar o enfrentamento da doença de Chagas no Brasil. Apesar dos avanços, os dados epidemiológicos reforçam que a doença ainda representa um desafio importante para a saúde pública, especialmente em áreas vulneráveis.
Com informações da Agência Brasil







