Política

Operação Juros Zero mira PicPay, ex-dirigentes do BRB e integrantes do governo do DF

Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

Uma operação deflagrada na manhã desta sexta-feira (19) pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), com apoio da Polícia Civil, tem como alvos a empresa PicPay, do grupo J&F, ex-dirigentes do Banco de Brasília (BRB) e integrantes do governo do Distrito Federal.

Entre os investigados estão o secretário de Economia do Distrito Federal, Ney Ferraz, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que está preso, e Eduardo Chedid, CEO da empresa de pagamentos PicPay, pertencente ao grupo J&F, dos irmãos Batista.

Para a operação desta sexta-feira, a Justiça do Distrito Federal expediu 50 mandados de busca e apreensão, que estão sendo cumpridos em Brasília, São Paulo (SP) e Curitiba (PR).

Os mandados têm como alvo endereços ligados aos investigados, ao BRB, aos Serviços S.A., à Secretaria de Economia do Distrito Federal, ao Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev-DF) e à Associação dos Servidores Públicos do Distrito Federal.

Além das buscas, a Justiça determinou o bloqueio de quase R$ 90 milhões em contas da PicPay e da Associação dos Servidores do Distrito Federal. As ações foram executadas por agentes do Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Decor), da Polícia Civil.

Segundo as investigações, o esquema teria começado a partir de um decreto distrital publicado em 2024, que permitiria descontos em folha de pagamento para amortização de transações sem a cobrança de juros.

De acordo com a apuração, após assumir a folha de pagamento do Governo do Distrito Federal, a PicPay teria passado a cobrar juros de forma velada, disfarçados como taxas e sem autorização dos servidores públicos.

A ação recebeu o nome de Operação Juros Zero.

Ney Ferraz já havia sido alvo de outra operação realizada pelo MPDFT e pela Polícia Civil na quarta-feira (17), que apura possíveis crimes contra a administração pública.

Já Paulo Henrique Costa e outros ex-dirigentes do BRB também são investigados pela Polícia Federal (PF) em outro caso envolvendo o Banco Master.

Apesar de envolver alguns dos mesmos investigados, a Operação Juros Zero não está relacionada ao chamado caso Master.

No âmbito dessa investigação conduzida pela Polícia Federal, Paulo Henrique Costa e outros ex-dirigentes do BRB são apurados por transações realizadas com o Banco Master, instituição ligada ao empresário Daniel Vorcaro, que teria causado prejuízos bilionários ao banco estatal.

O BRB também tentou adquirir o Banco Master. O negócio, anunciado e comemorado pelo governador Ibaneis Rocha (MDB), acabou sendo impedido pelo Banco Central (BC), que posteriormente liquidou a instituição financeira. Daniel Vorcaro também está preso.

O caso Master é investigado pela Polícia Federal por meio da Operação Compliance Zero. O processo tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) por envolver pessoas com foro privilegiado, entre elas deputados e senadores.

 

Com informações do O Tempo