Política

Cleitinho adia pela quarta vez decisão sobre candidatura ao Governo de Minas e gera críticas de possíveis adversários

Foto: Senado Federal do Brasil

O senador Cleitinho Azevedo voltou a adiar a decisão sobre uma eventual candidatura ao Governo de Minas Gerais nas eleições de 2026. Apesar de liderar pesquisas de intenção de voto e possuir forte presença nas redes sociais, o parlamentar anunciou pela quarta vez o adiamento de uma definição sobre a disputa pelo Palácio Tiradentes.

A mais recente manifestação ocorreu durante discurso no Senado, na última quinta-feira (11), quando Cleitinho afirmou que somente decidirá sobre sua participação na corrida eleitoral após o término da Copa do Mundo e das festas de São João.

Com 4,4 milhões de seguidores em uma de suas redes sociais, Cleitinho é apontado como um dos principais nomes para a sucessão estadual. O potencial eleitoral do senador é frequentemente comparado ao desempenho do ex-governador Romeu Zema, que foi reeleito em 2022, ainda no primeiro turno, com 6,094 milhões de votos.

Mesmo diante desse cenário, o parlamentar segue evitando confirmar se disputará o principal cargo político do estado.

O mais recente prazo anunciado por Cleitinho substitui outra previsão feita no início deste mês. Em 3 de junho, durante um encontro realizado em Patos de Minas com a participação do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República, ele havia pedido dez dias para definir seu futuro político.

O prazo terminou apenas dois dias antes de o senador afirmar que a decisão ficaria para depois da Copa do Mundo e das comemorações de São João.

Outro adiamento ocorreu em 3 de fevereiro, quando Cleitinho informou, também em discurso no Senado, que interromperia as discussões sobre uma possível candidatura em razão do tratamento contra o câncer enfrentado por um de seus irmãos.

O primeiro prazo havia sido estabelecido em 25 de novembro do ano passado. Na ocasião, questionado sobre uma possível candidatura ao governo estadual, o parlamentar declarou que tomaria uma decisão em março deste ano.

Durante o pronunciamento em que anunciou o novo adiamento, Cleitinho demonstrou preocupação com as interpretações geradas pelas sucessivas mudanças de prazo.

Segundo o senador, circulam comentários em Minas Gerais de que teriam ocorrido alinhamentos políticos para que ele não concorresse ao governo estadual. O parlamentar negou a existência de qualquer acordo nesse sentido e também rebateu alegações de que estaria evitando assumir a administração de um estado com dificuldades financeiras.

Sem citar nomes, Cleitinho afirmou que alguns dos políticos que propagam essas versões seriam os mesmos que, segundo ele, contribuíram para os problemas enfrentados pelo estado.

Nos bastidores, possíveis adversários avaliam que a hesitação do senador estaria relacionada ao desafio de enfrentar uma campanha em que passaria a ser alvo de críticas.

De acordo com essas avaliações, Cleitinho construiu parte de sua trajetória política por meio de ataques e críticas, especialmente nas redes sociais, e teria receio de assumir a posição de quem passa a ser questionado pelos concorrentes e pela opinião pública durante uma disputa eleitoral.

A indefinição de Cleitinho tem sido comparada à trajetória recente do senador Rodrigo Pacheco, que também foi apontado durante longo período como possível candidato ao Governo de Minas.

Pacheco, que tinha como principal apoiador o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, permaneceu por cerca de um ano entre os nomes cotados para a disputa estadual. Diferentemente de Cleitinho, no entanto, estabeleceu apenas um prazo público para anunciar sua decisão.

Em 5 de maio, o senador informou que se posicionaria até o final daquele mês. No dia 29, confirmou que não participará das eleições de 2026.

Com a nova postergação, a definição sobre uma eventual candidatura de Cleitinho ao Governo de Minas Gerais permanece em aberto. Enquanto lidera levantamentos eleitorais e mantém forte popularidade, o senador segue adiando o anúncio de sua decisão, alimentando especulações sobre seu futuro político e o cenário da disputa estadual de 2026.

 

Com informações do O Tempo