Política

Rodrigo Pacheco confirma saída da política e descarta candidatura ao governo de Minas

Foto: Alex de Jesus

O senador Rodrigo Pacheco (PSB) confirmou, na manhã desta sexta-feira (29), que não será candidato ao governo de Minas Gerais nas eleições de 2026 e anunciou o encerramento de sua trajetória política. A declaração foi feita durante um evento promovido pelo Grupo Lide, em São Paulo, com a presença de empresários.

A decisão ocorre após mais de um ano de especulações sobre uma possível candidatura de Pacheco ao Palácio Tiradentes. O ex-presidente do Congresso Nacional vinha sendo incentivado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a disputar o comando do Executivo mineiro. No entanto, após meses de articulações e avaliações sobre o cenário político em Minas Gerais, o senador optou por não buscar novos mandatos.

Em entrevista após o evento, Pacheco afirmou que encerra a carreira política com sensação de dever cumprido.

“Eu tenho 12 anos de vida pública, fui deputado federal, senador, presidente do Senado e do Congresso Nacional por quatro anos. Tenho uma vida plenamente realizada e é sempre o momento de avaliar ciclos e há um fechamento de ciclo na política que decidi fazer com sentimento de dever cumprido, com muitas realizações feitas e com coração muito tranquilo em relação a essa decisão”, declarou.

O senador também descartou qualquer possibilidade de assumir cargos em tribunais superiores, incluindo o Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, o foco agora será a advocacia, atividade retomada após deixar a presidência do Senado.

“Não tem nenhuma expectativa ou perspectiva de ingresso em tribunal superior, inclusive o Supremo Tribunal Federal (STF). Se isso foi cogitado em algum momento, isso foi bem resolvido, é uma página virada e não tem nenhuma expectativa nesse sentido”, afirmou.

Com a desistência oficial da disputa pelo governo mineiro, Rodrigo Pacheco afirmou que o chamado “campo democrático” possui nomes qualificados para a sucessão do governador Romeu Zema (Novo).

Entre os citados pelo senador estão o empresário e ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué Alencar, e o ex-procurador-geral do Ministério Público de Minas Gerais, Jarbas Soares, ambos filiados ao PSB.

Quando se chega à conclusão de que o ciclo da política se fechou é difícil opinar sobre nomes. Acho importante que esse campo democrático, progressista, de pessoas que querem reconstruir Minas Gerais possa escolher um nome que esteja à altura e nós temos bons nomes em Minas Gerais para cumprir essa missão”, declarou.

Durante a entrevista, Pacheco também comentou sobre a ex-prefeita de Contagem e pré-candidata ao Senado, Marília Campos (PT). O senador classificou a possível candidatura como consolidada e elogiou a atuação da petista.

“Me entusiasma muito ter uma mulher no Senado representando Minas Gerais com a qualidade da Marília Campos”, disse.

Nas últimas semanas, Pacheco já havia informado ao presidente nacional do PT, Edinho Silva, que não aceitaria o convite de Lula para disputar o governo de Minas. Apesar disso, aguardava uma reunião com o presidente da República para oficializar a decisão, encontro que não ocorreu devido à incompatibilidade de agendas.

O anúncio encerra um período de especulações iniciado ainda em 2024, quando Rodrigo Pacheco passou a participar com frequência de eventos públicos ao lado de Lula em Minas Gerais. Em diversas ocasiões, o senador recebeu destaque nos palanques e chegou a ser apresentado pelo presidente como “próximo governador de Minas”.

No fim de 2025, Rodrigo Pacheco chegou a ser cotado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. No entanto, o presidente Lula acabou indicando Jorge Messias, cujo nome posteriormente foi barrado no Senado em articulação liderada pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), aliado de Pacheco.

Mesmo após o episódio, o senador ainda realizou movimentos que indicavam uma possível candidatura ao governo mineiro. Após perder espaço no PSD com a filiação do governador Mateus Simões, Pacheco se aproximou do União Brasil e do MDB antes de ingressar no PSB.

No União Brasil, conseguiu emplacar aliados em posições estratégicas e, ao migrar para o PSB, levou parte de seu grupo político.

Segundo interlocutores, Rodrigo Pacheco avaliou que não teria um palanque robusto em Minas Gerais capaz de garantir competitividade eleitoral. Na visão do senador, o chamado campo democrático não conseguiu se organizar de forma unificada em torno de sua candidatura.

Além do apoio de partidos de esquerda, Pacheco desejava reunir legendas como PSDB e União Brasil em uma eventual aliança, apesar da distância dessas siglas em relação ao governo Lula.

Questões pessoais e familiares também teriam pesado na decisão do senador de recusar o convite feito pelo presidente da República para disputar o governo de Minas Gerais.

Com o anúncio desta sexta-feira, Rodrigo Pacheco encerra oficialmente uma trajetória de 12 anos na política nacional, marcada pela atuação como deputado federal, senador e presidente do Senado e do Congresso Nacional. Ao optar por não disputar o governo de Minas Gerais e deixar a vida pública, o parlamentar afirma concluir o ciclo político com tranquilidade e intenção de se dedicar integralmente à advocacia.

 

Com informações do O Tempo