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Recado para São Pedro:

Certos de que ele, o santo, já anda cansado de ser acusado como o principal culpado pelo esvaziamento criminoso dos lagos de Furnas e Peixoto, neste mês de outubro resolveu abrir as torneiras permitindo precipitações pluviométricas bem acima da média na região da bacia que alimenta o rio Grande, em nome da verdade dos fatos, gostaríamos de advertir ao nosso santo protetor que; se não fecharem o ralo do Tietê/Paraná, o esforço do santo, de nada, ou de muito pouco, nos valerá.

O sonho de vermos as águas acumuladas nos tais lagos, servindo a todos de forma democrática e atendendo a premissa legal do multiuso delas, só ocorrerá de fato neste período que vai de 2021 a 2022 se as tais agências reguladoras – ANA – ANEEL e a ONS, assim como o Ministério de Minas e Energia, Furnas e outros penduricalhos aos quais o problema é afeto, resolverem encarar esta questão que eles mesmos criaram, com inteligência, perseverança e foco. Para tanto, evitando inclusive a produção de dezenas ou centenas de portarias, decretos ou outros instrumentos burocráticos que costumam emitir, reiteradamente, mesmo sabendo que estes não serão obedecidos. Bastaria que eles respeitassem e cumprissem o que dita a EC.106, aquela que estabelece as cotas mínimas de 762 e 663, como limitadoras do uso das águas armazenadas em Furnas e Peixoto.

Esta advertência, caro São Pedro, é validada pelos números expressivos das precipitações medidas em outubro e que nos mostram o acréscimo marcante nas médias, se comparadas a anos passados e que, apesar delas, faz com que a gente se assuste quando a própria Furnas nos mostra que de um dia para o outro o nível de nosso lago, subiu apenas um, dois ou três centímetros. Isto após 24 horas de quase dilúvio!

Ora, se a bacia é a mesma, se o que deveria haver encharcado o solo já o fez, como se explica isto? Quem quiser comprovar que verifique nas madrugadas, quanta água escorre rio abaixo (a jusante da represa) e confira os números apresentados no Tietê, Paraná, etc. E a hidrovia? Parou mesmo ou continua funcionando com menor volume de carga nas barcaças para aproveitar a lâmina d’água, que embora em volume menor que o desejado, ainda é garantida por ali, às nossas custas?

Se houver um furo no balde, meu caro São Pedro, de pouco valerá o aumento bem vindo e generoso dos índices de precipitação até então verificados. Vamos daqui gritando, na esperança de que “estes caras” saibam que a sociedade civil, bem acordada, já está de saco cheio com a embromação de nossas “autoridades” e muitos de nós, já andamos com uma vontade enorme de seguir a receita que o ex-governador Itamar Franco, nos legou há mais de 20 anos?

Falando nisto, por que será que nesta semana, tanques e blindados da nossa gloriosa Marinha se encontram em manobra, exatamente aqui nas margens pantanosas daquilo que um dia já foi um lago?

Pois bem. Voltemos ao que nos interessa São Pedro. Saiba que enquanto os que decidem tudo aqui no campo humano, na ‘terra Brasilis’, forem os aqueles mesmos que há anos vieram pouco a pouco criando este caos, a gente fica com a impressão de que você meu caro São Pedro, por mais que queira nos ajudar e ouça as nossas preces, precisa sim, com urgência, arranjar uma forma de tampar o ralo do Tietê! Se não, estará malhando em ferro frio!

Desenhando para quem ainda não entendeu o acima relatado:

1 – Na nascente de rio Grande, em Bocaina, se em outubro de 2020 choveu perto de 90 milímetros, este ano, até o dia 26, foram mais de 205 milímetros.

2 – Na nascente do Sapucaí, em Campos do Jordão (SP), em outubro de 2020 choveu 13,5 milímetros e este ano, nada menos que 230 milímetros.

3 – Contando com as precipitações, todas muito acima das médias do ano passado nas regiões dos outros contribuintes da bacia, como explicar que em outubro saímos da cota 753,8, apenas para 754,3 – apesar da imposição da tal bandeira criada para mexer nos bolsos dos consumidores com a afirmativa de que as termoelétricas estariam substituindo a geradora de energia a partir do aproveitamento hidráulico? Tinha que sobrar mais água armazenada por aqui, é claro! E a experiência daqueles que acompanham este lago há décadas, nos faz assinar esta indagação em forma de denúncia.  Valeu São Pedro!