O Brasil fecha 2025 com a maior taxa básica de juros da economia em quase duas décadas. A Selic, atualmente em 15% ao ano, alcançou o maior patamar desde julho de 2006. A decisão de elevar os juros de 14,75% para 15% foi tomada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central em 18 de junho.
Contexto da alta
A Selic é o principal instrumento de controle da inflação. Com juros mais altos, o crédito encarece, o consumo e os investimentos diminuem e a atividade econômica tende a desacelerar, o que pressiona os preços para baixo. A inflação dos alimentos tem sido um dos principais desafios para o governo Lula (PT).
O ciclo de aperto monetário começou em setembro de 2024, quando o Copom interrompeu a trajetória de cortes e elevou a taxa de 10,50% para 10,75% ao ano. Apesar disso, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrou 2024 em 4,83%. Em 2025, o indicador apresentou queda nos últimos meses, chegando a 4,46% no acumulado de 12 meses até novembro.
A meta de inflação é de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual, permitindo variação entre 1,5% e 4,5%.
Pressão por cortes
O governo e o mercado financeiro têm pressionado o Banco Central a reduzir os juros, argumentando que o patamar elevado prejudica o crescimento econômico. “Acho que a taxa de juros, e todo mundo sabe qual é a minha opinião, tem espaço para corte”, disse o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em novembro.
O Boletim Focus, divulgado pelo BC, mostra que as expectativas de inflação para 2025 recuaram de 4,55% para 4,40% em dezembro, ainda próximas ao teto da meta.
Copom mantém firmeza
Na última reunião, em 10 de dezembro, o Copom manteve a Selic em 15% e sinalizou que a política monetária seguirá restritiva por tempo prolongado. “Para assegurar a convergência da inflação à meta em ambiente de expectativas desancoradas, exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado”, destacou o comunicado.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, defendeu a estratégia, afirmando que a política monetária tem ajudado a reduzir a inflação sem comprometer o crescimento. “A meta não é a banda superior (4,5%). A meta é 3%. […] Vimos a inflação emagrecendo mais lentamente do que gostaríamos, mas com a atividade econômica”, disse em audiência no Senado em novembro.
PIB em desaceleração
A economia brasileira perdeu fôlego no terceiro trimestre de 2025. O Produto Interno Bruto (PIB) registrou alta de apenas 0,1% entre julho e setembro, após crescimento de 0,4% no trimestre anterior.
Para o fechamento do ano, o Banco Central projeta expansão de 2%. O mercado, segundo o Boletim Focus, espera crescimento de 2,25%, enquanto o governo estima avanço de 2,2%.
Com informações do Metrópoles







