Desde que a crise estourou, o dragão acordou enfurecido e as taxas de desemprego subiram, a professora da área de Gestão de Pessoas da Fundação Getúlio Vargas/Faculdade IBS Érika Nahass passou a brincar com os alunos que chegou a era da “sevirabilidade”. “Com o achatamento da renda, o aumento do custo de vida e o fechamento de postos de trabalho, o brasileiro está tendo que se virar como pode”, diz ela.

De abril a junho deste ano, o exército de brasileiros que trabalham por conta própria no país ultrapassou a casa dos 22 milhões, segundo Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com igual período de 2014, o grupo, formado por autônomos que pagam impostos, e principalmente por quem está na informalidade, tentando se virar, cresceu quase 5%.

“O aumento do trabalho por conta própria, que remete à perda da estabilidade e do emprego com carteira assinada, foi sentido em praticamente todas as unidades da federação. Em todas as regiões, foi detectada a presença do trabalhador por conta própria como forma de voltar ao mercado de trabalho ou como uma maneira de compor a renda familiar”, afirma o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo.

Segundo ele, o quadro de informalidade é reforçado pela alta da taxa de desemprego, que bateu em 8,3% no último trimestre analisado.

Entre abril e junho, no Brasil, 8,3 milhões de pessoas procuraram emprego sem encontrar uma oportunidade, aumento de 23,5% sobre o número de desocupados em igual período do ano passado.

Outro dado preocupante citado por ele foi o corte de 9% nas vagas na construção civil, um dos setores que tradicionalmente mais empregam no país.

Após perder o emprego de auxiliar de pedreiro no início deste ano e ouvir vários “nãos” de empresas do ramo, Pedro Lucas da Silva passou a vender pano de chão nos sinais de trânsito de Belo Horizonte. São sete unidades por R$ 9,99. Mas nem a “promoção” tem atraído a freguesia ao volante.

“Ganhava muito mais fichado, além da segurança e dos direitos que um trabalhador com registro tem. Mas tenho que ir à luta. Enquanto não aparecer nada melhor, vou levando”, disse.

Para a professora Érika Nahass, o movimento atual, infelizmente, é de recuo na formalização. “As conquistas, que levaram anos para acontecer, agora começam a ser perdidas”, avalia.

Professor do MBA Finanças do Ibmec em Minas, Alexandre Galvão ressalta a relação direta entre crescimento sustentável da economia e criação de empregos formais. “Hoje, vemos o efeito inverso. Com a queda no PIB, tem mais gente desempregada. E a informalidade acaba sendo o caminho por falta de opção”, diz.

Por semana, ele vende 140 doces nos sabores negresco e leite ninho com nutela. Cada um custa R$ 3, o que rende um faturamento mensal de R$ 1.680. Um complemento e tanto para quem recebe R$ 400 no estágio. “Dá para a gasolina do carro e outras despesas. E ainda vou guardar para uma viagem no final do ano”, contou.

– A economia informal movimentou, somente no ano passado, R$ 826 bilhões, o equivalente a 16% do PIB brasileiro. 
 

 

 

Redação do Jornal Nova Imprensa Hoje em Dia

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