?Mas funciona?, completou Aldo Rebelo, ministro do Esporte, que reconheceu na tarde de ontem (22) que alguns projetos para a Copa do Mundo de 2014 podem sofrer atrasos, mesmo que isso não comprometa a realização do evento (na cabeça dele).
Aldo disse que os trabalhos nos estádios estão dentro do cronograma e não demonstrou preocupação com as obras de infraestrutura, como mobilidade urbana e hotelaria, alvo frequente de reclamações da Fifa. ?Nós também temos nossos problemas civilizatórios, e um deles é o atraso. A gente atrasa até para sair de casa… Isso é uma coisa da nossa cultura, mas tudo funciona. Até reunião ministerial também atrasa no Brasil. Nós entregaremos as obras essenciais, as obras dos estádios, as de mobilidade urbana e um ou outro atraso não vai comprometer a Copa?, disse Aldo em entrevista ao programa Bom Dia Ministro, transmitido pela NBR, emissora do governo federal. ?Se dissermos que não vamos ter problema nenhum, nós estaremos faltando com a verdade. Um pequeno problema ou outro teremos?, ressaltou.
Chute no traseiro
Após a polêmica frase dita pelo secretário geral da Fifa, Jerome Valcke, de que o país precisava de um ?chute no traseiro? para se atentar ao atraso das obras, criou-se uma grande animosidade entre a entidade maior do futebol e o governo brasileiro. O fato gerou o cancelamento de visita que Valcke faria ao Brasil para inspecionar obras da Copa. Ainda não foi divulgada uma nova data para a viagem, nem se Valcke vai compor a comitiva da Fifa. ?Eu não tenho pensado nesse assunto?, limitou-se a dizer Aldo.
Do santo
Outra polêmica que toma conta dos preparativos para a Copa se relaciona ao comércio de bebidas alcoólicas nos estádios, uma vez que, no Brasil, a prática é proibida. A Fifa exige que sejam vendidas bebidas alcoólicas nos estádios, uma vez que uma das principais patrocinadoras do evento é uma marca de cerveja. ?A Fifa deve saber perfeitamente que cada Casa de Leis e os respectivos Estados vão estar conscientes da sua responsabilidade. Aqui no Congresso existe essa responsabilidade e nas respectivas casas de leis dos Estados vai haver a consciência?, disse José Maria Marin, novo presidente da CBF, durante visita de cortesia a senadores.
Mais essa
O jornal ?O Tempo? destacou, ontem, que o estádio Independência, além de apresentar o problema de visibilidade em 6 mil assentos do estádio, enfrentará problemas na comercialização de ingressos na bilheteria em dia de jogos. De acordo com a publicação, o espaço em que se encontram as janelas para a compra dos bilhetes está dentro da arena, e é o mesmo ambiente em que as pessoas estarão passando pelas catracas. Além disso, o jornal apurou que moradores da região têm sido consultados por representantes da BWA (administradora do estádio) sobre a possibilidade de utilização das suas moradias como pontos de venda de tickets. A intenção é alugar casas próximas ao estádio – de preferência, nas ruas Pitangui e Ismênia Tunes, onde estão os portões do estádio – para que sejam usadas como bilheteria.
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