Tomar vitamina D diariamente pode estar associado a um melhor desempenho cognitivo em pessoas com sinais iniciais de demência. É o que sugere um estudo publicado em 13 de junho na revista Sleep Medicine.
A pesquisa avaliou adultos com comprometimento cognitivo leve, condição que pode anteceder quadros como a doença de Alzheimer, e que também apresentavam distúrbios do sono. Segundo os resultados, participantes que faziam uso diário do suplemento obtiveram pontuações mais altas em testes de memória e raciocínio.
Apesar dos resultados, os próprios pesquisadores ressaltam que o estudo não comprova que a vitamina D seja responsável pela melhora da cognição. A relação identificada é apenas uma associação.
O que é demência?
Demência é um conjunto de sinais e sintomas que podem incluir esquecimentos frequentes, repetição de perguntas, perda de compromissos e dificuldade para lembrar nomes.
Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece diagnóstico e tratamento multidisciplinar para pessoas com demência, incluindo Alzheimer, por meio de centros de referência e unidades básicas de saúde.
O diagnóstico precoce permite a adoção de ações terapêuticas que podem retardar os sintomas, aliviar a carga familiar e melhorar a qualidade de vida. Dados do Ministério da Saúde indicam que até 45% dos casos de demência podem ser prevenidos ou retardados.
Como o estudo foi realizado
Os pesquisadores acompanharam 54 pessoas com 50 anos ou mais, todas com diagnóstico ou suspeita de comprometimento cognitivo leve.
Os participantes foram submetidos a testes para avaliar memória, atenção e outras funções mentais, além de exames relacionados à qualidade do sono. Os pesquisadores também registraram a quantidade de vitamina D consumida por cada participante.
A partir dessas informações, os cientistas compararam os níveis de ingestão do suplemento com os resultados obtidos nos testes cognitivos.
Os dados apontaram que os participantes que consumiam mais de 5.000 UI de vitamina D por dia apresentaram, em média, desempenho cerca de 13% melhor no teste cognitivo em comparação com aqueles que não utilizavam o suplemento.
Doses menores também apareceram associadas a resultados um pouco mais altos, mas sem apresentar uma diferença consistente.
Resultados podem indicar uma possível relação com a saúde cerebral
Segundo os autores, os resultados reforçam a possibilidade de existir uma relação entre a vitamina D e a saúde do cérebro, principalmente nas fases iniciais da perda cognitiva.
“Isso pode representar uma janela importante para intervenção, quando as mudanças cognitivas estão começando e ainda há espaço para cuidar da saúde cerebral”, afirmou a pesquisadora Victoria Pak, da Universidade Emory, em comunicado.
No entanto, os pesquisadores destacam que o estudo envolveu um número pequeno de participantes. Por isso, novas pesquisas, com grupos maiores, são necessárias para confirmar os resultados observados.
Pesquisadores alertam para os riscos da suplementação
A dose de vitamina D também exige atenção. A quantidade associada aos melhores resultados no estudo ficou acima do limite diário considerado seguro, de 4.000 UI.
Por esse motivo, os pesquisadores não recomendam o uso de vitamina D com base exclusivamente nos resultados da pesquisa. A orientação é que qualquer suplementação seja realizada com acompanhamento de um profissional de saúde.
Mesmo com as limitações, o estudo chama atenção para a possibilidade de um fator simples e acessível estar relacionado à cognição em fases iniciais do declínio mental. Os resultados, porém, ainda precisam ser confirmados por pesquisas maiores antes que qualquer conclusão sobre os benefícios da suplementação possa ser estabelecida.
Com informações do Metrópoles






