Curiosidades

Você sabia que o fundo do mar é mais misterioso que a Lua?

Foto: Wikimedia Commons/1840489pavan – CNN Brasil

Localizada na parte ocidental do Oceano Pacífico, a Fossa das Marianas é o ponto mais profundo do planeta, com condições extremas que tornam o ambiente hostil e inacessível. Com pressões mil vezes maiores que as do nível do mar, temperaturas congelantes e ausência de luz solar, a região só começou a ser estudada com precisão nas últimas décadas, após avanços tecnológicos que permitiram missões tripuladas a partir da década de 1960.

A Fossa das Marianas é resultado de uma zona de subducção, onde a placa do Pacífico mergulha sob a microplaca das Marianas, formando uma das regiões mais profundas e estreitas do leito oceânico. Embora não pertença a nenhum país, sua proximidade às Ilhas Marianas coloca a área sob jurisdição norte-americana. A fossa se estende por aproximadamente 2.540 quilômetros, com largura média de 69 quilômetros.

O ponto mais profundo registrado, conhecido como Challenger Deep, atinge cerca de 11 quilômetros abaixo do nível do mar. A primeira medição significativa ocorreu em 1875, durante a Expedição Challenger, com sondagens que alcançaram 8.184 metros. A primeira viagem tripulada ao fundo da fossa aconteceu em 23 de janeiro de 1960, quando o batiscafo Trieste, operado pela Marinha dos EUA, chegou a 10.916 metros na Depressão Challenger.

Contrariando antigos pressupostos de que a região seria inóspita à vida, pesquisas recentes revelaram a presença de diversas espécies. Entre os organismos mais comuns estão pepinos-do-mar, anfípodes – crustáceos semelhantes a camarões – e xenofióforos, organismos unicelulares que se alimentam de bactérias e matéria orgânica. Devido à dificuldade de obtenção de alimento, a quantidade de animais encontrados ainda é limitada.

Apesar de sua localização remota, a Fossa das Marianas não está imune à poluição. Estudos recentes identificaram microplásticos e substâncias químicas, incluindo produtos proibidos desde a década de 1970, em amostras de animais que habitam o fundo do mar, como os anfípodes. Pesquisadores alertam que mesmo os ecossistemas mais profundos já sofrem impactos da atividade humana.

A Fossa das Marianas continua a fascinar cientistas e o público, revelando tanto a complexidade da vida em condições extremas quanto a vulnerabilidade de ecossistemas remotos à poluição. Enquanto novas tecnologias permitem exploração mais profunda e detalhada, a necessidade de monitoramento e preservação dessas regiões torna-se cada vez mais urgente, lembrando que ainda sabemos mais sobre a superfície lunar do que sobre o fundo de nossos oceanos.

Com informações da CNN Brasil