Formiga

Atleta enganado consegue alcançar desempenho melhor

Uma inusitada forma de motivar atletas a baterem seus próprios recordes teve sua eficácia comprovada.
Em um estudo desenvolvido na Universidade de Northumbrian, na Inglaterra, cientistas enganaram ciclistas profissionais ao dizerem que a velocidade em que estavam pedalando era menor que a real. Ao serem enganados, os ciclistas imaginaram que poderiam ir um pouco mais além, e acabaram batendo recordes de tempo na bicicleta.
No laboratório, o chefe de esportes e ciência do exercício da universidade, Kevin Thompson, e seu assistente, Mark Stone, pediram aos ciclistas que pedalassem o mais rápido possível em uma bicicleta ergométrica durante cerca de 4 km. Após terem repetido a tarefa em várias ocasiões e em dias diferentes, os ciclistas pensaram conhecer seus limites de velocidade e tempo.
Então, a equipe de cientistas pediu que os ciclistas pedalassem novamente em competição com um avatar – uma imagem de outro ciclista na tela de um computador. A tela mostrava duas figuras: a do ciclista que participava do estudo, e a de outra pessoa, que o atleta pensava ser uma representação dele mesmo, mas em seu melhor desempenho – afinal, foi isso que os pesquisadores lhe disseram.
Na realidade, porém, o segundo avatar era uma representação da melhor performance do ciclista acrescida em 2%, o que significa que a figura pedalava sempre com uma velocidade um pouco superior à do melhor tempo do atleta. Assim, o ciclista corria contra ele mesmo, mas competindo com um tempo que nunca tinha atingido antes.
Acreditando que o avatar representava o melhor tempo dos próprios ciclistas, os atletas acabaram fazendo o mesmo tempo que os avatares, o que representa um aumento significante na velocidade quando comparado à performance que conseguiam atingir anteriormente.
Mesmo que um aumento de 2% possa parecer pequeno, é suficiente para fazer uma grande diferença na classificação em corridas de curtas duração – de quatro ou cinco minutos – como distâncias de 4 km. Na elite dos esportes, um aumento de apenas 1% pode determinar se o atleta se classifica ou não para uma corrida.
As marcas atingidas no experimento, segundo Thompson, não são apenas pequenas variações diárias. Na realidade, representam grandes mudanças nos desempenhos.
Jo Corbett, professor de fisiologia do exercício aplicado na Universidade de Portsmouth, na Inglaterra, afirma que o esforço extra aplicado à tarefa pelos atletas parece vir do sistema anaeróbico de energia – um recurso que é limitado pela quantidade de ?combustível? armazenada nos músculos.
Em uma competição, o cérebro permite o acesso ao ?combustível extra?, o que faz com que os atletas cavem mais fundo por energia e acabem tendo um desempenho melhor, explica o fisiologista.