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Dia de São Jorge é celebrado nesta quinta-feira (23) com tradição e devoção em todo o país

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Nesta quinta-feira (23), fiéis de diversas regiões do Brasil celebram o Dia de São Jorge, uma das datas mais tradicionais do calendário religioso. Conhecido como “Santo Guerreiro”, o santo mobiliza milhares de devotos, que participam de celebrações marcadas por fé, cultura e costumes populares.

Segundo o Vaticano, São Jorge, cujo nome de origem grega significa “agricultor”, foi morto no ano 303 por professar sua fé cristã diante do imperador romano Diocleciano.

A tradição cristã relata que ele nasceu na Capadócia, região da atual Turquia, por volta do ano 280, e se tornou soldado no exército romano. Sua trajetória o transformou em mártir da Igreja Católica, sendo reconhecido como símbolo de coragem, proteção e da vitória do bem sobre o mal.

São Jorge é considerado padroeiro de cavaleiros, soldados, escoteiros, esgrimistas e arqueiros. Uma das lendas mais conhecidas associadas à sua figura narra que ele teria salvado uma princesa ao derrotar um dragão em um pântano na Líbia. A imagem do santo montado a cavalo, com lança em punho, tornou-se um dos ícones mais reconhecidos do cristianismo.

No Brasil, a devoção a São Jorge é amplamente difundida, com sua imagem presente em camisetas, tatuagens, templos e casas de oração, geralmente nas cores vermelho e branco, ligadas à Cruz de São Jorge.

Além do catolicismo, o santo também é cultuado em outras tradições cristãs, como a Igreja Anglicana e a Ortodoxa, e tem forte presença no sincretismo religioso brasileiro. Esse fenômeno combina elementos de diferentes crenças em uma única prática.

Nas religiões afro-brasileiras, como umbanda e candomblé, São Jorge é frequentemente associado a Ogum, considerado o senhor do ferro e das batalhas. Em algumas regiões, como na Bahia, também pode ser relacionado a Oxóssi.

A origem desse sincretismo remonta ao período da escravidão, quando africanos trazidos ao Brasil associavam seus orixás a santos católicos como forma de manter suas crenças sem repressão. No Islã, a figura de São Jorge também aparece, frequentemente vinculada a Al-Khidr, descrito como sábio e protetor.

Diversos eventos marcam o Dia de São Jorge no Brasil. No Rio de Janeiro, onde o santo é padroeiro oficial desde 2019, devotos participam da tradicional “Alvorada de São Jorge”, realizada ainda ao amanhecer na Igreja Matriz São Jorge em Quintino, com queima de fogos e missas ao longo do dia.

A data também é celebrada por escolas de samba e pela cultura popular. Em muitas localidades, é comum a preparação de feijoada, alimento associado a Ogum, reforçando a ligação entre fé e tradição cultural.

Apesar da forte devoção popular, há poucos registros históricos sobre São Jorge. Em 1969, durante o pontificado de Paulo VI, a celebração deixou o calendário oficial do Vaticano como festa litúrgica e passou a ser considerada memória facultativa, devido à escassez de evidências documentais.

De acordo com a Vatican News, existem inúmeras narrativas lendárias sobre o santo. Um dos raros registros históricos é uma epígrafe grega do ano 368, encontrada em Eraclea de Betânia, que menciona “a casa ou igreja dos santos e triunfantes mártires, Jorge e companheiros”.

Acredita-se que os restos mortais do santo estejam na igreja de São Jorge em Lida, cidade próxima a Telavive, enquanto seu crânio estaria preservado na igreja de São Jorge em Velabro, em Roma, por desejo do Papa Zacarias.

Mesmo cercado por lendas e com poucos registros históricos, São Jorge permanece como uma das figuras religiosas mais populares do Brasil. Sua celebração reúne fé, cultura e tradição, refletindo a diversidade religiosa e o sincretismo que marcam a identidade cultural do país.

Com informações da Agência Brasil