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Polícia investiga venda e retirada de ponte centenária em Minas Gerais

Foto: Reprodução/RECORD Minas

O desaparecimento de uma ponte ferroviária centenária em Prados, no Campo das Vertentes, mobilizou moradores, ciclistas, autoridades municipais e forças de segurança. A estrutura metálica, construída na Inglaterra no fim do século XIX e integrante da antiga Ferrovia Oeste de Minas, foi desmontada e retirada da zona rural do município, sendo posteriormente localizada em um empreendimento turístico próximo ao Parque Estadual do Ibitipoca, em Lima Duarte, na Zona da Mata mineira.

O caso passou a ser investigado pela Polícia Civil e poderá contar também com o acompanhamento da Polícia Federal, uma vez que o bem é considerado patrimônio da União.

Imagens obtidas durante as investigações mostram partes da ponte sendo transportadas em carretas por rodovias de Minas Gerais. A estrutura possuía aproximadamente 20 metros de comprimento por cinco metros de largura e fazia parte da paisagem da região há mais de um século.

A situação chamou a atenção após moradores perceberem que a ponte havia desaparecido do trecho localizado entre a comunidade da Estação de Prados e a Envernada. No local, permaneceram apenas as bases de sustentação da estrutura.

Como ocorreu a retirada da ponte

Segundo a Polícia Civil, os indícios apontam que a ponte foi desmontada com o auxílio de maquinário pesado. As investigações indicam ainda que equipamentos teriam sido utilizados para cortar a estrutura em diversas partes antes do transporte.

De acordo com o delegado Rafael de Faria Emídio, um intermediador ligado ao mercado de antiguidades teria participado da negociação e contratado o transporte da ponte.

O proprietário do terreno onde a estrutura estava instalada já prestou depoimento. Conforme apurado pela polícia, ele alegou acreditar que a ponte lhe pertencia por estar localizada dentro de sua propriedade rural. A partir desse entendimento, teria negociado a venda do bem com auxílio de um intermediário.

As investigações apontam que a negociação foi concluída por cerca de R$ 700 mil.

Valor histórico e importância para a região

Mais do que uma antiga travessia ferroviária, a ponte é considerada um patrimônio histórico ligado ao desenvolvimento econômico de Minas Gerais. Segundo o secretário municipal de Cultura e Turismo de Prados, Thiago de Castro Narciso, a estrutura chegou ao Brasil vinda da Inglaterra durante o período de expansão da Ferrovia Oeste de Minas.

De acordo com o secretário, a ponte teve papel importante na malha ferroviária regional, contribuindo para o desenvolvimento econômico do Oeste de Minas.

Embora estivesse desativada desde 1980, a estrutura continuava sendo utilizada por ciclistas e visitantes que percorrem rotas turísticas rurais da região. O local integrava trajetos de cicloturismo e era reconhecido como um ponto de interesse histórico.

A retirada da ponte gerou indignação, especialmente entre grupos de ciclistas que desenvolviam ações voltadas à preservação e valorização do antigo trecho ferroviário.

Localizada a cerca de 190 quilômetros de Belo Horizonte, Prados é uma das cidades históricas mais tradicionais do Campo das Vertentes. O município integra o circuito da Estrada Real e é reconhecido pela produção artesanal e pela tradição musical.

Para a administração municipal, a retirada da ponte representa uma perda patrimonial e turística. Segundo a prefeitura, a estrutura pertence à União e está em processo de transferência para a administração municipal, o que impediria sua comercialização como bem privado.

O secretário de Turismo acredita que o valor histórico da ponte pode ter motivado o interesse dos compradores. Segundo ele, a escolha da estrutura demonstra que havia interesse em seu significado histórico, e não apenas em sua utilidade.

Após as primeiras diligências, a estrutura foi encontrada em uma área pertencente a um empreendimento turístico próximo ao Parque Estadual do Ibitipoca, em Lima Duarte.

Em nota, a empresa responsável pelo projeto informou que adquiriu a ponte de forma regular junto a um comerciante do setor de antiguidades, com emissão de nota fiscal e autorização para o transporte.

A empresa também afirmou ter colaborado com as autoridades assim que o caso ganhou repercussão.

Até o momento, não há definição sobre quando ou de que forma a ponte retornará para Prados.

A Prefeitura aguarda o avanço das investigações antes de discutir oficialmente o destino da estrutura. Paralelamente, o município estuda projetos para a área onde a ponte estava instalada, incluindo a criação de um espaço de descanso para visitantes e ciclistas, além de iniciativas voltadas à preservação do patrimônio histórico.

A Polícia Civil trabalha inicialmente com a hipótese de furto qualificado mediante concurso de pessoas, embora outras possibilidades ainda estejam sendo analisadas.

Segundo o delegado Rafael de Faria Emídio, as investigações estão em fase inicial e ainda não é possível determinar se os compradores tinham conhecimento da situação jurídica da estrutura no momento da aquisição.

Todos os envolvidos já foram ouvidos pelas autoridades e o inquérito segue em andamento. A Polícia Federal também deverá acompanhar o caso devido à condição da ponte como patrimônio pertencente à União.

Com informações do portal r7