Astrônomos identificaram, pela primeira vez, um açúcar no espaço interestelar. A descoberta foi publicada nessa segunda-feira (13) na revista científica Nature Astronomy e revela a presença da eritrulose, um açúcar localizado a cerca de 26 mil anos-luz da Terra.
Segundo os pesquisadores, a substância pertence à mesma família de açúcares considerados essenciais para a vida, por fornecer energia, formar estruturas biológicas e estar relacionada ao material genético.
A substância identificada é a eritrulose, um açúcar composto por quatro átomos de carbono. O estudo aponta que ela pode ter sido formada a partir da poeira interestelar.
Os cientistas explicam que o meio interestelar funciona como uma verdadeira fábrica química, responsável pela formação de mais de 340 moléculas já detectadas, muitas delas precursoras de compostos importantes, como ribonucleosídeos e lipídios.
Embora açúcares bioessenciais, como a ribose e a glicose, já tenham sido encontrados em meteoritos, nenhum açúcar propriamente dito havia sido identificado no espaço até agora. O glicolaldeído, frequentemente detectado no meio interestelar, é classificado apenas como um hidroxialdeído.
Para identificar a eritrulose, os astrônomos realizaram uma varredura espectral na nuvem molecular G+0,693−0,027, localizada no centro da Via Láctea, a aproximadamente 8,2 quiloparsecs da Terra, distância equivalente a cerca de 26.700 anos-luz.
A pesquisa utilizou os radiotelescópios Yebes, de 40 metros, e IRAM, de 30 metros, permitindo a identificação de 12 conjuntos de linhas espectrais consistentes, que confirmaram a presença da molécula.
De acordo com o estudo, um dos principais obstáculos para encontrar açúcares no espaço era a ausência de dados laboratoriais na fase gasosa. Isso ocorre porque essas moléculas são termicamente frágeis e higroscópicas, ou seja, têm capacidade de absorver ou reter a umidade presente no ar.
Os pesquisadores afirmam que esse desafio foi superado graças ao desenvolvimento de uma técnica de vaporização a laser ultrarrápida, que possibilitou a análise da eritrulose.
Outro resultado considerado surpreendente foi a abundância da substância. Segundo o estudo, a eritrulose foi encontrada em quantidade entre 8 e 17 vezes maior do que açúcares menores compostos por três átomos de carbono, contrariando o comportamento normalmente observado no espaço, onde moléculas maiores tendem a ser menos abundantes.
Os pesquisadores destacam que a identificação da eritrulose fortalece a hipótese de que moléculas fundamentais para o surgimento da vida possam ter sido formadas no espaço interestelar e transportadas para a Terra por cometas ou asteroides há bilhões de anos.
A descoberta representa um avanço nas pesquisas sobre a química do universo e pode contribuir para uma melhor compreensão da origem dos compostos essenciais à vida.
Com informações do Metrópoles






