Pesquisadores internacionais descreveram uma nova espécie de macaco na República Democrática do Congo. Conhecido localmente como Likweli, o Colobus congoensis é considerado pelos cientistas um exemplar que permaneceu fora do registro científico durante anos devido à ausência de avistamentos.
A descoberta foi liderada pela Universidade Atlântica da Flórida, nos Estados Unidos, em parceria com instituições da Alemanha e do Congo. Os resultados do estudo foram publicados na revista científica Plos One na quarta-feira (15).
Antes da pesquisa, havia apenas um único registro fotográfico da espécie, feito em 2008 na área que atualmente integra o Parque Nacional de Lomami.
Dezoito anos depois, os pesquisadores reuniram 114 observações de campo do macaco, número considerado suficiente para confirmar cientificamente que se trata de uma nova espécie.
Entre 2018 e 2022, os 114 registros abrangeram uma área de aproximadamente 1,7 mil quilômetros quadrados. Os avistamentos foram realizados durante patrulhas de vigilância conduzidas por diferentes equipes no Parque Nacional de Lomami.
Segundo um dos autores do estudo, Junior Amboko, biólogo da Universidade Atlântica da Flórida, a descoberta representa um marco para o conhecimento da biodiversidade da região.
“Essa descoberta é emocionante e profundamente pessoal, destacando a extraordinária biodiversidade da minha terra natal e o quanto ainda permanece sem ser documentado”, afirmou o pesquisador em comunicado.
Entre as principais características físicas do Colobus congoensis estão os olhos escuros, as maçãs do rosto proeminentes e a boca de coloração rosa-alaranjada.
O macaco também possui pelagem preta e lisa até a cauda e apresenta um atributo considerado marcante pelos pesquisadores: mechas de pelos espetados ao redor do rosto.
De acordo com os pesquisadores, a identificação da nova espécie é considerada essencial diante da perda de habitat e dos eventos de caça registrados na região.
Uma das autoras do estudo, Kate Detwiler, destacou que a descoberta representa tanto um avanço científico quanto um alerta para a preservação da biodiversidade.
“A descoberta do Colobus congoensis é tanto um triunfo científico quanto um lembrete preocupante de que algumas das criaturas mais raras da Terra podem desaparecer antes mesmo que o mundo saiba que elas existem”, ressaltou a pesquisadora.
A confirmação do Colobus congoensis como uma nova espécie amplia o conhecimento científico sobre a fauna da República Democrática do Congo e evidencia a importância das pesquisas de campo para a identificação e conservação de espécies ainda pouco conhecidas.
Com informações do Metrópoles







