Quando o assunto é energia nuclear, muitas pessoas associam a tecnologia apenas às usinas de geração elétrica ou a acidentes históricos. No entanto, especialistas destacam que suas aplicações vão muito além da produção de energia, com presença em áreas como medicina, indústria, agricultura e conservação de alimentos.
Embora represente uma parcela menor da matriz elétrica brasileira, a energia nuclear continua sendo considerada estratégica por oferecer geração contínua e independente das condições climáticas, diferentemente de fontes como a solar e a eólica.
Segundo o físico Ronni Amorim, da Faculdade de Ciência e Tecnologia em Engenharia da Universidade de Brasília (UnB), uma das principais vantagens da tecnologia é justamente a estabilidade na produção.
“A energia nuclear não é sazonal. Ela consegue gerar a mesma quantidade de energia em qualquer época do ano, ocupa menos espaço e uma quantidade muito pequena de urânio produz uma enorme quantidade de energia”, afirmou.
A utilização da energia nuclear está presente em diversas atividades do dia a dia, mesmo que muitas vezes não seja percebida pela população. Além da geração de eletricidade, a tecnologia é empregada em exames de diagnóstico, tratamentos contra o câncer, inspeção de equipamentos industriais, esterilização de materiais hospitalares, controle de pragas, conservação de alimentos e pesquisas ambientais.
De forma simplificada, uma usina nuclear funciona de maneira semelhante a uma usina térmica convencional. A principal diferença está na origem do calor: enquanto as usinas tradicionais utilizam a queima de combustíveis fósseis, as nucleares utilizam a fissão do urânio para aquecer água, gerar vapor e movimentar turbinas responsáveis pela produção de eletricidade.
Para o astrofísico Adam Smith Gontijo Brito de Assis, professor da Universidade Católica de Brasília (UCB), essa característica também faz da energia nuclear uma alternativa de baixa emissão de gases de efeito estufa.
“A produção de eletricidade é apenas uma das aplicações da tecnologia nuclear. Muitas vezes a população está sendo beneficiada e nem percebe”, explicou.
Os especialistas ressaltam que acidentes como Chernobyl e o caso do césio-137, em Goiânia, contribuíram para aumentar o receio da população em relação à energia nuclear. No entanto, eles destacam que esses episódios envolveram falhas humanas e descumprimento de protocolos de segurança.
Segundo Assis, as usinas modernas contam com múltiplas barreiras de proteção, sistemas redundantes de resfriamento e monitoramento contínuo para reduzir riscos.
Ronni Amorim defende que ampliar o conhecimento da população é fundamental para combater mitos relacionados à tecnologia. De acordo com o especialista, campanhas educativas ajudam a mostrar que a radiação faz parte de diversas aplicações seguras utilizadas diariamente, como exames médicos e alimentos irradiados para ampliar a conservação.
Com o aumento da demanda por eletricidade e a necessidade de reduzir as emissões de carbono, a energia nuclear tende a continuar desempenhando um papel relevante ao lado de fontes renováveis.
A combinação entre diferentes formas de geração pode contribuir para uma matriz energética mais diversificada e estável, mantendo a tecnologia nuclear como uma alternativa estratégica no cenário energético.
Com informações do Metrópoles







