Política

Moraes determina busca contra fonte de jornalista mesmo com proteção constitucional ao sigilo

Foto: Gustavo Moreno/SCO/STF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou, na segunda-feira (10), uma operação de busca e apreensão contra Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão.

Segundo a decisão, Cutrim teria sido identificado como uma das fontes do jornalista Luís Pablo Conceição Almeida em reportagens que questionavam o suposto uso irregular de veículos oficiais por familiares do ministro Flávio Dino.

A medida foi solicitada pela Polícia Federal e recebeu manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República.

Investigação aponta ex-secretário como fonte

De acordo com o advogado de Cutrim, José Berilo de Freitas Leite, a suspeita surgiu após a quebra do sigilo telefônico do jornalista. A partir dos dados obtidos, a investigação teria apontado Cutrim como responsável pelo fornecimento das informações utilizadas em publicações do Blog do Luís Pablo.

Cutrim é delegado aposentado da Polícia Federal, já exerceu mandato de deputado estadual e comandou a Secretaria de Segurança do Maranhão durante a gestão de Carlos Brandão, atual adversário político de Flávio Dino no estado.

Operação ocorre após buscas contra jornalista

A nova operação acontece após outra medida determinada por Alexandre de Moraes contra o próprio jornalista. Em março, a Polícia Federal realizou buscas na residência de Luís Pablo e apreendeu celulares e um computador.

Na ocasião, a investigação apurava uma possível prática de perseguição contra Flávio Dino.

Na decisão anterior, Moraes afirmou que o jornalista teria recorrido a algum mecanismo estatal para identificar e caracterizar os veículos mencionados nas reportagens. Segundo o ministro, a situação poderia resultar na exposição indevida de informações relacionadas à segurança de autoridades.

Caso integra inquérito das fake news

O episódio faz parte do chamado inquérito das fake news, que está sob relatoria de Alexandre de Moraes desde o início de 2026, após o processo deixar a relatoria do ministro Cristiano Zanin.

A mudança foi fundamentada na existência de uma possível conexão entre as investigações.

Com informações do Nação Jurídica