A construção de cidades na Lua pode enfrentar um obstáculo básico: a disponibilidade de água. Um estudo publicado calculou por quanto tempo diferentes populações poderiam sobreviver usando as reservas de gelo atualmente estimadas no satélite.
No cenário mais otimista, com até 1 bilhão de toneladas de água, uma população de 1 milhão de pessoas poderia esgotar a reserva em pouco mais de um século, mesmo com sistemas capazes de reciclar cerca de 98% da água. Estimativas mais recentes apontam para uma quantidade aproximadamente 30 vezes menor, o que reduziria ainda mais a autonomia.
Os depósitos conhecidos estão principalmente em crateras próximas aos polos lunares que permanecem em escuridão permanente. Nessas regiões, temperaturas inferiores a -163 °C ajudam a preservar o gelo por longos períodos.
A reciclagem seria fundamental para qualquer assentamento. Sem reutilização eficiente, populações grandes consumiriam as reservas em poucos anos. Já uma comunidade de aproximadamente 1.000 habitantes poderia ser mantida por séculos em condições de alto reaproveitamento e baixo consumo.
A energia, por outro lado, pode ser um problema relativamente menor. Áreas próximas às crateras polares recebem luz solar por longos períodos e poderiam abrigar grandes sistemas de geração de eletricidade. O próprio solo lunar também contém silício, um dos materiais usados na fabricação de painéis solares.
Os pesquisadores destacam que os resultados não tornam inviável a ocupação da Lua, mas mostram que grandes cidades autossuficientes dependeriam de novas fontes de água e de tecnologias ainda não disponíveis.
Uma das principais possibilidades é procurar depósitos de gelo em maiores profundidades. As técnicas atuais investigam apenas alguns metros abaixo da superfície, enquanto o regolito lunar pode se estender por dezenas de metros. Caso existam reservas profundas, elas poderiam ampliar significativamente a quantidade de água disponível e mudar as perspectivas para futuros assentamentos lunares.
Com informações da Revista Galileu






