Economia

Mercado reage ao resultado do 1º turno e Ibovespa supera 200 mil pontos

Foto: © Valter Campanato/Agência Brasil

O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais mudou rapidamente as expectativas do mercado financeiro sobre a disputa entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com Flávio à frente, por 47,03% a 45,16% dos votos válidos, investidores passaram a considerar mais provável uma mudança de governo e uma possível alteração na condução das contas públicas.

A reação foi imediata. O Ibovespa ultrapassou pela primeira vez os 200 mil pontos, enquanto o dólar caiu 4,12%, para R$ 5,0010, chegando a R$ 4,9530 durante o dia. As taxas de juros projetadas para os próximos anos também recuaram.

Entre os bancos, as altas foram expressivas: Banco do Brasil subiu 11%, B3 avançou 22,63%, Bradesco 13,57%, BTG Pactual 22,52% e Itaú 10,37%.

A queda dos juros futuros tornou as ações mais atrativas e reduziu a taxa utilizada para calcular o valor presente dos lucros futuros das empresas. A taxa projetada para janeiro de 2031, por exemplo, caiu de cerca de 14% para 12,85% ao ano.

A queda da moeda americana foi associada à percepção de menor risco fiscal e à possibilidade de entrada de investimentos estrangeiros no país. Com maior procura por ativos brasileiros, aumenta a oferta de dólares e diminui a cotação.

Apesar do otimismo, especialistas destacam que a reação está baseada em expectativas. A diferença entre os candidatos foi de 1,87 ponto percentual, equivalente a cerca de 2,2 milhões de votos, e o segundo turno ainda pode alterar o cenário.

A composição do Congresso e dos governos estaduais também será acompanhada pelo mercado, especialmente diante do avanço de partidos de centro e direita. Qualquer mudança econômica, porém, dependerá de negociações e apoio político.

A equipe de Flávio Bolsonaro afirma que pretende cortar gastos equivalentes a 1,5% do PIB, rever regras de despesas públicas e reduzir a estrutura do governo. O ajuste estimado pela campanha é de cerca de R$ 190 bilhões, mas ainda não foram apresentados cálculos detalhados sobre sua execução.

Debates, pesquisas e apoios políticos até 25 de outubro, data prevista para o segundo turno, podem alterar novamente as chances dos candidatos e os preços dos investimentos. Uma vantagem maior de Flávio pode reforçar a alta, enquanto uma recuperação de Lula pode provocar reversão de parte dos ganhos.

Especialistas recomendam cautela diante da forte reação do mercado e destacam que a continuidade do movimento dependerá de medidas concretas para equilibrar as contas públicas.

 

Com informações do G1