Formiga

Audiência Pública: instituições que trabalham com autistas pedem agilidade no repasse de verbas

Uma Audiência Pública, promovida pelo vereador Cabo Cunha, reuniu no plenário da Câmara Municipal de Formiga, na semana passada, representantes de instituições e entidades que trabalham com pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Estiveram presentes mães de autistas, membros da Família Formiga Azul (Movimento formiguense em favor dos autistas), o presidente da OAB – Subseção Formiga, Aécio Coutinho; o presidente do Consep- Conselho Comunitário de Segurança Pública, Marcus Phellipe Vieira; as mães Sirlei e Cristina (representante da ABA – Associação Betel de Assistência), o professor de musicoterapia, Jatanael Alves, e os vereadores: Juarez Carvalho, Cid Corrêa, Luciano do Gás e a assessora do vereador Luiz Carlos Tocão, Daniela Trindade. Nenhum representante do Poder Executivo esteve presente.

Durante o debate, foram ouvidos os dramas, as dificuldades, e também algumas conquistas das instituições com o trabalho desenvolvido com pessoas com TEA.

Uma das representantes da Família Formiga Azul, Pâmela Silveira, também expôs como estão os trabalhos e a criação do estatuto da associação.

O professor de musicoterapia Jatanael, disse que o trabalho desenvolvido na Associação de Moradores da Região do Engenho de Serra (AMORES), e também em outros lugares onde há um espaço para trabalhar com os autistas vem caminhando positivamente, porém, as instituições e entidades precisam da ajuda financeira para dar continuidade nas atividades.

Ele ainda ressaltou que se as autoridades não ajudarem por meio dos repasses de verbas parlamentares e/ou impositivas, todo o processo realizado com aquele grupo será em vão.

Os vereadores também destacaram a importância desses recursos e todos disseram que irão apressar e cobrar do Executivo, sendo que a maioria dos Projetos de Lei já haviam sidos apreciados e aprovados pelos parlamentares.

A vereadora Joice Alvarenga, durante sua fala, destacou como é sério o assunto sobre pessoas com TEA e devem ser valorizados todos os espaços de diálogo sobre o tema.

Assim como ela, várias mães presentes questionaram, e com razão, a ausência das Secretarias de Educação e Saúde. “São as famílias que sofrem com os seus filhos as dificuldades diárias para acessar os serviços públicos. Há uma enorme demanda reprimida na saúde, igualmente na educação”, comentou Joice.

O vereador Cabo Cunha também levantou a bandeira em defesa do autista. Ele disse que é preciso agilidade para as políticas públicas em favor desse e de outros grupos da sociedade, que dependem dos poderes: Executivo e Legislativo. “Vamos juntos lutar por uma cidade mais inclusiva, fraterna e feliz”, finalizou o vereador antes de encerrar o encontro.

Audiência

 Além dos recursos financeiros para as instituições e entidades direcionadas a pessoas com TEA, os presentes durante a Audiência Pública, listaram algumas providências que precisam serem realizadas por meio dos serviços públicos no município de Formiga:

  • A contratação de profissionais como neuropediatra e neuropsicologia;
  • Capacitação para os profissionais da Educação;
  • Criação de uma lei para a contratação dos profissionais de saúde específico (neuropediatra e neuropsicológica);
  • Exames complementares;
  • Ter uma equipe multidisciplinar para pessoas com TEA na Secretaria de Saúde;
  • Prioridade para pessoas com TEA nos atendimentos e espaços públicos, em especial na UPA – Unidade de Pronto Atendimento;
  • Trabalhos e acompanhamento psicológico para pais e responsáveis saberem lidar e cuidar de filhos autistas.

 TEA

Especialistas afirmam que o tema ainda é de pouco conhecimento na sociedade e, muitas vezes, tardiamente diagnosticado, o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é um distúrbio neurológico bastante caracterizado pela dificuldade de interação social. Com diferentes graus de autismo, as pessoas que apresentam esse transtorno podem sofrer para se adaptar a uma vida autônoma em uma sociedade que não parece oferecer as adequadas ferramentas para atendimento e diálogo com essa população.

Entre os comportamentos mais característicos, os especialistas listam o pensamento lógico e objetivo que, por um lado, pode limitar a compreensão de ironias ou entrelinhas, mas, por outro, pode favorecer a qualificação na execução de diversas atividades e na solução de problemas. A criatividade e a capacidade de imaginação que o autista pode apresentar, assim como o perfeccionismo e a solidez dos valores apreendidos. Em contraponto, podem ter um incômodo intenso com simples erros cotidianos e muita dificuldade para lidar com imprevistos.

Fonte: Câmara Municipal

Foto: divulgação Câmara
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