Maurício Tolmasquim, coordenador do grupo técnico de Minas e Energia da transição de governo, afirmou nesta quinta-feira (8) que o diagnóstico sobre o setor elétrico aponta para um custo, na conta de luz, da ordem de R$ 500 bilhões para os consumidores nos próximos anos.

“Ficamos assustados com o diagnóstico que encontramos, sobretudo no setor elétrico”, afirmou Tolmasquim, que é ex-presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e já ocupou temporariamente o cargo de ministro desta pasta. “Vimos que uma série de ações feitas, durante este governo, vai deixar uma herança para os próximos governo, para o nosso e os próximos”, completou.

O coordenador do GT listou parte das despesas geradas por medidas tomadas no mandato do atual governo, tanto por iniciativa do Poder Executivo quanto do Legislativo.

Entre elas está o pagamento dos empréstimos contratados pelas distribuidoras durante a pandemia, chamado de Conta-Covid, de R$ 23 bilhões. O valor foi usado para cobrir o rombo no setor relacionado especialmente pela inadimplência dos consumidores e redução da demanda por energia.

Outro mecanismo semelhante ao da Conta-Covid, também envolvendo empréstimo junto a bancos públicos e privados, foi a Conta Escassez Hídrica. Neste caso, R$ 6,5 bilhões foram usados para cobrir despesas na crise hídrica de 2021 que atingiu o setor, considerada a pior em 90 anos.

Foi incluído nos cálculos de despesas a contratação emergencial de termelétricas. Considerada como outra medida para enfrentar a crise hídrica de 2021, esse gasto soma R$ 39 bilhões. “Queremos fazer algumas ações para ver se esse valor pode ser diminuído”, disse Tolmasquim.

Uma das principais fontes de despesas no setor que terá impacto na conta de luz, com “impacto muito grande”, foi a contratação de “térmicas inflexíveis”, que totaliza R$ 368 bilhões. A despesa é decorrente de emendas parlamentares incorporadas à lei de privatização da Eletrobras, que também criou “reserva de mercado” para pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), com impacto de R$ 55 bilhões.

Fonte: Valor Investe/globo.com

Mauricio Tolmasquim, coordenador do grupo técnico de Minas e Energia da transição de governo — Foto: Luis Ushirobira/Valor

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