Em menos de 24 horas, dobrou o número de funcionários da Receita Federal (RF) que aderiram ao protesto contra o Orçamento de 2022. Até a tarde desta quinta-feira (23), 635 funcionários deixaram seus cargos de chefia no órgão. Até ontem, eram 324. 

O movimento visa pressionar o presidente Jair Bolsonaro (PL) para que não sancione o Orçamento em sua integralidade, aprovado pelo Congresso Nacional na terça-feira (21). O texto prevê cortes de gastos no orçamento destinado à Receita Federal no próximo ano e o reajuste salarial apenas para a Polícia Federal. 

De acordo com o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita (Sindifisco),  delegados e adjuntos da 1ª RF do Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul aderiram ao movimento. Além de chefes da área de inteligência do país todo e, de forma inédita, dos Auditores Fiscais que atuam no Conselho de Administração de Recursos Fiscais (Carf). 

Neste último, a entrega envolve não apenas os cargos de chefia, mas o próprio mandato de conselheiro, que exerce o papel de julgador no Conselho. Ao todo, 44 funcionários ligados ao Carf deixaram seus cargos. A expectativa do sindicato é que o número suba até o final das assembleias.

“A entrega dos mandatos de conselheiro e a paralisação dos julgamentos no Carf, nesse momento, tem um componente extra. Em Janeiro voltariam as sessões sem limite de valor, quando começariam a ser julgados os recursos mais relevantes”, explicou  Kleber Cabral, presidente do Sindifisco Nacional. 

A entrega dos cargos não significa um desligamento oficial da Receita Federal. Ou seja, não se configura como demissão. Todos os funcionários seguem exercendo suas funções como servidores concursados. O objetivo da ação, portanto, é deixar o órgão sem chefia e, desta forma, comprometer as atividades. 

Fonte: Estado de Minas

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