Ciência e Saúde

Estudo indica que corações transplantados podem mudar idade biológica após cirurgia

Foto: Magnific/Imagem ilustrativa

Corações transplantados podem apresentar mudanças em sua idade biológica após a cirurgia e passar a se comportar de maneira mais semelhante ao organismo do receptor. É o que indica um novo estudo que investigou o processo em animais e em pacientes humanos.

Os resultados sugerem que órgãos de doadores mais velhos podem apresentar funcionamento melhor do que o esperado quando transplantados para pessoas mais jovens. A pesquisa foi publicada no servidor de pré-impressão bioRxiv e ainda não passou por revisão por pares.

Os cientistas avaliaram a chamada idade biológica, um indicador relacionado ao desgaste das células ao longo do tempo. Para investigar esse processo, foram analisadas alterações químicas no DNA associadas ao envelhecimento.

Nos experimentos realizados com camundongos, os pesquisadores observaram mudanças de acordo com a idade dos animais que receberam os órgãos. Corações jovens transplantados para animais mais velhos passaram a apresentar sinais de envelhecimento mais acelerado.

Por outro lado, corações de animais idosos apresentaram sinais de rejuvenescimento quando foram transplantados para indivíduos jovens.

O mesmo fenômeno foi identificado em pacientes humanos. Os pesquisadores analisaram 11 casos nos quais havia uma grande diferença de idade entre doadores e receptores.

Segundo os resultados, os corações transplantados passaram a apresentar características biológicas mais próximas das pessoas que receberam os órgãos.

Os pesquisadores também observaram uma relação entre o funcionamento do coração após o transplante e a idade do receptor. Indicadores como frequência cardíaca, espessura do músculo cardíaco e capacidade de exercício passaram a acompanhar o perfil de quem recebeu o órgão, em vez de permanecerem relacionados principalmente à idade do doador.

Nem todas as características, porém, apresentaram mudanças ao longo do tempo. Para os cientistas, esse resultado sugere que existem limites para o processo de adaptação biológica dos órgãos transplantados.

Os resultados podem ter implicações sobre os critérios utilizados para a escolha de órgãos destinados a transplantes. Atualmente, existe preferência por doadores mais jovens, embora órgãos de pessoas mais velhas também possam ser considerados em determinados casos.

A possibilidade de adaptação biológica observada no estudo levanta a hipótese de que corações de doadores idosos possam ser utilizados com maior frequência. Isso poderia contribuir para reduzir a fila de espera por transplantes.

Apesar dos resultados observados em animais e nos 11 casos humanos analisados, os autores ressaltam que são necessários estudos maiores para confirmar os achados.

Como a pesquisa publicada no bioRxiv ainda não foi revisada por pares, os resultados precisam ser avaliados e reproduzidos em novas investigações antes que possam fundamentar qualquer alteração nas recomendações clínicas.

 

Com informações do Metrópoles